BLOG FECHADO

24
Mai 08

Isabel bamboleava os pés de trás para a frente, da frente para trás, enquanto observava o oceano azul, o longo horizonte onde o mar abraçava o céu na ternura de um fim de tarde.

Quase se esquecendo de respirar, a rapariga devorava a paisagem com a sua meninice e vontade de viver.

Deixando as pernas ser embaladas pela brisa fresca, a pele dos braços mordida por umas gotas da chuva que ameaçava cair, Isabel ouviu os passos de David.

Esses passos eram amarfanhados pela erva alta e verde que cobria todo o campo.

Então, ela sentiu as pernas longas e magras dele encostadas às suas costas.

                   - Vamos, vai chover. - disse ele, secamente.

Isabel virou-se para o fitar, viu-o meio pálido e suado, uns caracóis da juba escura a caírem-lhe sobre a testa.

                   - O que se passa?

                   - Nada, nada.

                   - Não estás com boa cara.

                   - Quero ir para casa, só isso. Pode ser?

Ela, contrariada e curiosa, lá se levantou e sacudiu a saia de bombazine beige, seguindo-o imediatamente.

David agarrava-se à barriga, cravando as unhas na camisola fina que lhe cobria o tronco e esvoaçava levemente ao sabor do vento. O seu sobrolho estava franzido, o rapaz mordia o lábio inferior com toda a sua força, fazendo este sangrar. Limpando o sangue da boca à manga da camisola branca, fez uma mancha vermelha disforme no tecido imaculado.

Já se via a casa, ali, no meio dos campos, rodeada de estrelícias coloridas de pôr-do-sol.

Isabel olhou David, que, de olhos fechados, mantinha a cabeça altiva e lutava com a dor. A rapariga, dando-lhe o braço, conduziu-o até à porta de casa, onde ele se encostou à parede e colocou a mão na maçaneta, mandando Isabel colher malmequeres num campo ali perto.

O céu tomava tons de abismo e por isso Isabel não foi, abrigou-se no estábulo, encostando a cabeça a Dente de Leão, o lindo cavalo Lusitano de pêlo castanho macio.

Então, ao longe, viu Simão Pedro a voltar do pasto das vacas, montado no cavalo Viriato, aquele que era negro e meio selvagem, que só se subjugava ao que o montava.

Isabel viu a mão deste levantar-se num aceno enérgico. Ela sorriu, fazendo uma festa a Dente de Leão e pensando no dia em que montaria nos campos verdes com Simão Pedro, o de olhos azuis.

 

Até a um próximo post,

Joana F.

publicado por Katerina K. às 19:25

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