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13
Jan 10

            Jonathan Steel olhou com uma lânguida falta de atenção para a caixa metálica que descansava sobre a mesa. Há pouco mais de doze horas, esta contivera Brilho do Pacífico, o mais fabuloso diamante negro da história da humanidade. Agora, o veludo vermelho do seu interior era apenas habitado pelo ar morno do princípio de tarde. Expirou com força. Nada compensaria aquela perda. Absolutamente nada.

            Marianne Gray mudou de posição e girou o anel de platina em volta do indicador. A sua unha, coberta por uma refulgente e estaladiça camada de verniz azul cerúleo, arranhou a superfície do braço da poltrona. Não conseguia de deixar de mostrar um sorriso ligeiramente imbecil, característico da sua profissão. O bloco de notas, gentilmente pousado sobre o regaço, encontrava-se aberto numa página em branco intitulada de «Brilho do Pacífico». Lentamente, Marianne encaixou uma mecha de cabelo negro atrás da orelha e lambeu os lábios.

            - Senhor Steel, não tenho o dia todo.

            Após um minuto de silêncio, o homem respondeu placidamente, como se dissesse a coisa mais óbvia do mundo.

            - Se quer a história, menina Gray, vai ter paciência. – sorriu.

            Marianne recostou-se na poltrona, e os seus múltiplos brincos tilintaram contra a pele do pescoço. Com um gesto flutuante, agitou a caneta no ar.

            - Ouça, isto não é só para meu interesse.

            Pela primeira vez, Jonathan pousou o olhar castanho na figura elegante de Marianne Gray. Antes de responder, não pôde deixar de reparar que, apesar de excêntrica, ela era uma mulher cativante. Tê-la numa carreira jornalística era um pleno desperdício. Esperou que ela acabasse de afastar a franja dos olhos e falou.

            - Diga-me o que quer saber.

            - Tudo. – respondeu ela, sem deixar aquele sorriso estranhamente penetrante.

            - Isso é extremamente vago, menina Gray.

            - Muito bem, então. – voltou algumas páginas do seu segundo bloco de notas e passou os olhos pelas perguntas que tinha anotado em letra miudinha – Fale-me do diamante.

            - O diamante veio parar às minhas mãos há três anos, quando apareceu num leilão de jóias e pedras preciosas. Como é óbvio, eu não podia deixar escapar tal pedra. Assim, não dei limites ao dinheiro que podia gastar na compra do objecto. Quando já o tinha, gastei algum tempo a analisá-lo. Não gosto de confiar as minhas pedras a nenhum especialista, faço tudo sozinho. Apercebi-me que era, de facto um diamante fabuloso, e que provavelmente valeria mais do que a exorbitante quantia que paguei por ele. Não tardei a descobrir que se tratava do Brilho do Pacífico, perdido em meados do século XVIII. Através de alguma pesquisa, inteirei-me da sua história e real valor. Com o passar do tempo, emprestei-o apenas uma vez: ao Museu de História Natural de Nova Iorque. A pedra esteve em exposição durante alguns meses. No final desse período, foi-me devolvida intacta.

            - Compreendo. – replicou Marianne, apontando alguma coisa na margem de uma folha.

            - Mantenho o diamante em minha casa, num cofre-forte, guardado por dois seguranças. O sistema inclui lasers e imagens em infra-vermelhos.

            - O diamante era, portanto, mantido num ambiente de alta segurança? – perguntou ela, levantando os olhos.

            - Absolutamente.

            - Então como explica que a pedra tenha sido roubada?

            Jonathan meneou a cabeça levemente e passou a mão pelo cabelo cor de avelã cuidadosamente penteado.

            - Não sei, é algo que me escapa.

            - Verdade? – perguntou ela, ironicamente.

            - Mas o caso não está nas minhas mãos, menina Gray. Sugiro-lhe que fale com um agente do FBI.

            - Ah, fá-lo-ei!

            Com um sorriso amplo, Marianne descruzou as pernas e fechou o bloco de notas.

 

publicado por Katerina K. às 14:07

Fui a primeira?
Pianista a 13 de Janeiro de 2010 às 14:11

Meu Deus, como eu gosto de mulheres com uma personalidade forte. Ela é uma vencedora e Jonathan parece ser um homem inteligente, sábio. Gostei de cada pormenor que impingiste à história. Por isso tudo e muito mais, lerei sempre o que tu escreveres.

Tua,
Pianista
Pianista a 13 de Janeiro de 2010 às 14:14

olá (:

uau fiquei simplesmente :o com este cap. *--*
nao sei porque :s

AMEI (:

beijinho #
pαtrýciαtk. ♥ a 13 de Janeiro de 2010 às 14:49

uaaau! adorei o segundo parágrafo. tão bonito, mas tãaao bonito. *-*
e "eu bem te disse". hihi. beijinhos (:
Inées. a 13 de Janeiro de 2010 às 18:07

ADOREI. (:
inês. a 13 de Janeiro de 2010 às 18:56

Outro capítulo viciante +.+

Continua. Beijos
sheisnothere a 13 de Janeiro de 2010 às 19:46

hmm, então vai ser (super) fabuloso. :)
Catherine a 13 de Janeiro de 2010 às 20:06

Não há palavras mesmo. Como já sabes, adoro tudo o que escreves: como descreves as acções, as paisagens, tudo. Adoro mesmo a tua escrita.
Continua assim :)
Beijos*
Mudei-me. Tchauzinho. a 13 de Janeiro de 2010 às 20:21

adorei :D
cada vez gosto mais desta historia ^^
gostei de "Xadrez" mas tenho a certeza que vou gostar mais ainda de "A Rainha" :D
cαтн Ϟ a 13 de Janeiro de 2010 às 20:40

Já devo ter dito isto por outra vezes, mas eu sinto-me mesmo a ler um livro quando estou a ler qualquer coisa por ti escrita. A perfeição é demasiada, de verdade.
Se for comparar-te a algum escritor dito profissional, acredita que não encontro diferenças. Para mim, a tua forma de escrever já atinge níveis extremamente bem concebidos, podendo qualquer pessoa considerar-te muito mais do que uma simples "amadora".
E adorei o capítulo, como sempre. (:
Ritaa a 14 de Janeiro de 2010 às 17:12

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