BLOG FECHADO

04
Dez 09

            Jesse ergueu a mão e permitiu-se a uma mínima hesitação antes de bater levemente à porta do quarto de Violet Simmons. Presumiu que ela tivesse voltado com Michael, e mesmo sabendo que era importante que ela o tivesse feito, sentia um aperto no estômago só de pensar nisso. De qualquer maneira, precisava de contar-lhe, de lhe dizer aquilo que, numa vaga de pura sorte, havia descoberto com Danny. Era como se já o soubesse, mas precisasse de uma confirmação, de uma prova sólida que o obrigasse a acreditar nas suas mais sinistras suspeitas. Por um momento, ficou apenas a ouvir o silêncio do corredor e o roçar da sua pele no tecido do sobretudo. Voltou a bater, uma e outra vez.

            - Violet?

            Não obteve resposta. Talvez ela estivesse só incomodada por ele se ter ido embora daquela maneira. Mas não, passava-se algo para além disso, e ele conseguia senti-lo dentro de si, como nevoeiro.

            - Violet?!

            Por alguma razão, um peso profundo começava a instalar-se nas suas entranhas labirinticamente. Algo estava, definitivamente, errado. Quase num impulso, agarrou a maçaneta num gesto duro e tentou girá-la. No entanto, ela não se moveu. Lentamente, Jesse levou a mão à parte traseira do cós das calças, do qual pendia um discreto coldre de couro. Com um silvo de tecido, um revólver Smith & Wesson emergiu na negrura das roupas de Jesse e cortou o ar saturado com um assobio silencioso. O rapaz aprumou-o dentro da mão, confortando o indicador pálido e comprido no orifício do gatilho. A frieza do metal contrastou com a morna calidez da sua pele e provocou um choque térmico que lhe subiu pelo braço como uma serpente. Apontou à maçaneta e, sem hesitar nem fechar os olhos, disparou. Uma chuva de faíscas vermelhas saltou pelo ar e a carcaça do puxador descaiu para a frente com moleza. Com o ombro, Jesse empurrou a porta, a qual castigou a parede com um murro de pura força muscular.

            A Smith & Wesson deslizou como melaço da mão de Jesse e embateu no chão duas vezes até se quedar silenciosa sobre a carpete. O baque do impacto espalhou-se lentamente em ondas de uma intensidade quase opaca, passando junto aos ouvidos de Jesse, a quem a pouca tez que ainda possuía havia fugido para longe. Engoliu em seco, empurrando duramente o ar para baixo como se empurra algo que é amargo. Sentiu-se subitamente seco, com as entranhas feitas de areia e pó negro, ao observar o quarto de Violet Simmons vazio. As portas da varanda encontravam-se abertas de par em par, com as pesadas cortinas verdes corridas para os lados e amarrotadas nas extremidades. O nevoeiro entrava no quarto com uma velocidade obesa e melancólica, envolvendo as esquinas angulosas dos móveis com a textura da mais discreta traição. Demorou-se em cada canto, orgulhoso de poder asfixiar o ar na sua belicosa arrogância, enquanto Jesse se apercebia que os seus mais profundos medos se estavam a tornar realidade. Violet tinha sido levada dali, Jesse quase que conseguia ouvir ainda a sua voz abafada a gritar por ajuda. O rapaz, petrificado de terror, caminhou lentamente até à varanda, embrenhando-se no nevoeiro. Ali, no sítio onde as escadas de incêndio estavam soldadas ao gradeamento, estava presa uma mecha de fibras cor de amêndoa que Jesse sabia pertencerem ao sobretudo de Violet. Tinha começado; agora, já não era mais possível adiar, porque o jogo tinha tido início. Tal como numa partida de xadrez, a Rainha Negra começava a fechar o cerco, a dispor as armas a seu bel-prazer, enquanto o Rei Branco se refugiava, indefeso num canto do tabuleiro. Quando Jesse se virou demoradamente, viu que tinha razão. Uma orquídea branca descansava calmamente em cima da colcha da cama, como o único elemento de paz daquele cenário. Nesse momento, Jesse Stone teve a certeza que Jacqueline Soleil tinha vindo buscar Violet Simmons. E ele era o próximo.

 

publicado por Katerina K. às 21:17

Tanto mistério, tanto suspense, tanto promenor. Tanta beleza. *------------*

'Uma orquídea branca descansava calmamente em cima da colcha da cama, como o único elemento de paz daquele cenário.' AMEI ESTA FRASE.
inês. a 4 de Dezembro de 2009 às 21:22

*-*
Hay, posta posta posta posta XD
phillipa a 4 de Dezembro de 2009 às 21:36

Mas podias postar, olha que eu nem me importo, asserio qe nao XD
phillipa a 4 de Dezembro de 2009 às 21:41

Ai ta ? Oo haaa, num pode ser assim, assim nao XD
phillipa a 4 de Dezembro de 2009 às 21:42

Pois. Mas eu gosto é desta ora porra xD chissa pinicuuu
phillipa a 4 de Dezembro de 2009 às 21:45

Querida? :O
ai meu deus, eueeeE? OH menina euueeeE?
OOO meniiinaaa, num sei nao xD
phillipa a 4 de Dezembro de 2009 às 21:47

Obrigada por esperares!
Na última semana de aulas já terei mais tempo e poderei ler tudo. E elogiar ainda mais a tua óptima escrita.

(Também tive teste de Biologia na 4ª feira, mas a stora faz sempre perguntas de revisão no início de todas as aulas e continuo a não perceber essa matéria!)

Bjs
Ana
Jane Doe a 4 de Dezembro de 2009 às 21:50

OOO menina, eu sou é maluca agora querida? naaaaa, num penses nisso
tas a ver eu querida? nada a ver... nadaaaa
phillipa a 4 de Dezembro de 2009 às 21:51

5 palavras.
ES. PEC. TA. CU. LAR.

Beijinho <3
scarlett black a 4 de Dezembro de 2009 às 21:56

Tipo...desculpa lá deves pensar que sou maluquinha XD
pois secalhar XD e que, opaw eu sou muito, bem nao sei o nom sou muito dquilo.
phillipa a 4 de Dezembro de 2009 às 22:07

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