BLOG FECHADO

10
Nov 09

            Raoul ergueu o olhar, fixando-o no rosto sério de Jesse. Este último expirou sonoramente pelo nariz e passou os longos dedos pelo cabelo, preparando-se para falar.

            - E agora, o que vais fazer? – perguntou.

            Raoul recostou-se no sofá Sheraton e levou a mão aos lábios. O silêncio em que se mergulhou, denso e gelado, fixou-se nos ombros de Jesse com o peso da culpa. Parara de chover, mas elegantes bagos líquidos espalhavam-se pelos vidros da ampla janela do apartamento de Raoul. Na mudez da sala, planava o ritmo entrecortado de uma tímida respiração, vinda da parte mais afastada da casa. Esse som, doloroso e negro, chegou desconfortavelmente aos ouvidos de Violet.

            - Temos de fazer alguma coisa. Isto não pode ficar assim. – disse ela, pensativamente – A Jacqueline anda à solta em França a caçar todos os que têm alguma coisa a ver com o que se passou naquele Inverno. Mais tarde ou mais cedo, vamos ser nós os alvos. E aposto que ela te vai deixar para o fim, Raoul.

            Ele fixou na rapariga os seus poderosos olhos azuis e explodiu numa ansiedade engarrafada durante muito tempo.

            - A Jacqueline está doente! Ela, nestes últimos anos, andou a planear tudo o que agora anda a fazer! Eu conheço-a, conheço-a bem. Sei do que ela é capaz quando se quer vingar. Vocês todos pensam que sabem quem ela era, mas não sabem! A Jackie demorou três anos a montar o plano do que nos vai fazer, podem ter a certeza que não há nada que a possa parar. Nem mesmo nós. Não nos podemos esconder dela, nem daquilo em que ela se tornou.

            Danny inclinou-se para a frente, entreabrindo os lábios numa expressão de incredulidade.

            - Estás doido? Sugeres que fiquemos aqui quietos à espera que ela nos venha espetar uma bala no crânio?!

            Raoul não se mexeu. Talvez isso fosse o melhor, pensou. Assim, a culpa esfumar-se-ia como vapor de água num dia de Verão, e tudo seria negro e profundo. Era tudo complicado demais, sentia ter arrancado a vida de Donna e tê-la arrastado para um sítio onde ela não queria estar. Passava os dias sozinha, trancada no quatro, a chorar copiosamente ou a fitar um ponto qualquer da parede. Fizera dela uma reclusa de si mesma, e nunca se havia de perdoar por isso. Jacqueline nunca havia de morrer.

            Na tensão apocalíptica que reinava na sala, apenas uma figura se mantinha totalmente calma, exalando uma aura de paz branca e duradoura. Jesse, sentado no cadeirão de orelhas que estava de costas para a varanda, era rasado pela luz prateada do exterior. Pensava, furiosa e rapidamente, mil imagens a passar-lhe como flashes em frente aos olhos. Sim, a Jacqueline viria para os caçar. Um a um. Lentamente. Saboreando cada momento da sua vingança como mel a escorrer-lhe pela língua. E esse seria o seu maior erro. Jesse sorriu, banhando-se na perversidade daquilo que acabava de planear. Sentiu os olhos cor de whiskey de Violet pousados em si, e o sangue borbulhou-lhe no peito. Quebrando a vibrante discussão que se havia desencadeado, falou pausadamente, num tom tão baixo que os outros se tiveram de esforçar por ouvir.

            - Há uma saída. Não tem vitória garantida, mas temos de tentar.

            Edward alargou o colarinho da camisa e passou os dedos pela mandíbula.

            - O que estás a pensar?

            Jesse esboçou um sorriso quase inexistente.

            - Vamos caçá-la antes que ela nos cace a nós.

 

publicado por Katerina K. às 21:53

Adorava falar contigo por msn. Pode ser que te consiga cravar os truques para escrever tão bem ^.^
M# a 10 de Novembro de 2009 às 22:17

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