BLOG FECHADO

18
Out 09

            Danny King, deitado entre os lençóis listados, aproveitava os últimos momentos de conforto na cálida ternura da cama. O quarto, banhado pela azulada claridade da manhã, era tingido por uma camada de espelhada resplandecência. O sol matinal, gelado, atravessou a fenda das cortinas e desenhou um rectângulo na carpete. Edward já estava acordado, sentando-se contra a parede com a partitura da Fantasia Coral de Beethoven sobre os joelhos. O cabelo escondia-lhe os olhos e mergulhava o rosto na sombra, só deixando entrever os lábios, que se moviam apenas levemente ao ritmo do baixo do piano.

            - Estás acordado?

            Edward assentiu, soltando um grunhido grave. Danny sentou-se na cama, puxou o cabelo loiro para trás e pigarreou, brincando com o anel de brasão da família.

            - O que estás a fazer?

            Edward suspirou.

            - A estudar. O professor Harrington ficou furioso comigo por eu ter fugido de Kiev. Quer dizer, afinal deixei uma orquestra inteira pendurada. Mas, no fundo, ele sabe que isto é importante.

            - Tinha-me esquecido disso. Parabéns pelo concurso, já agora.

            O outro ergueu o olhar e sorriu sombriamente.

            - O Chopin? Foi mais fácil do que eu imaginava. Basicamente, reinei. Primeiro, era o mais novo. Depois, era eu que trazia o programa mais ambicioso. Estavam todos…bem…amedrontados.

            - És o meu ídolo, Ed.

            Riu-se, a sua gargalhada rasando a semelhança ao vento.

            - Idolatrar, só a Deus.

            Danny levantou-se, despindo o pijama.

            - O que achas disto da Jacqueline?

            Edward encolheu os ombros, arremessando a partitura para cima do sofá.

            - Acho que há quem saiba mais do que quer admitir.

            Danny anuiu lentamente, levando a mão direita aos lábios, e passou os dedos por eles.

            - Acho, também, - continuou Edward – que podemos fazer algum trabalho investigativo.

            O outro rapaz virou-se bruscamente, arqueando uma sobrancelha de forma desconfiada. Pegou na camisa e atirou-a para as costas.

            - Desculpa, mas não entendo o que quiseste dizer com isso.

            Edward sorriu, e uma covinha arrogante desenhou-se-lhe infantilmente na face. Levantou-se, remexeu dentro da mala, e exibiu um esgar triunfante quando encontrou o que procurava. Ergueu uma fotografia quadrada, na qual se reflectiam os frios raios de sol matinal. Era o jardim do Le Château, rebentando de cor no cerne da Primavera. Sentados junto ao carvalho velho, um grupo de três raparigas e dois rapazes vivia a alegria da sua propositada juventude. Danny reconheceu-os de imediato, a todos.

            - Penso, - proferiu Edward, no tom imperial de quem revelava uma verdade absoluta – que temos de visitar a Leah.

publicado por Katerina K. às 21:57

adorei! já estava com saudades :D

"Edward sorriu, e uma covinha arrogante desenhou-se-lhe infantilmente na face." - gostei tanto desta parte :tt

beijinho
Catherine a 18 de Outubro de 2009 às 22:02

Venha a investigaçãaaao +.+ eheheh
Beijinhos ^^
Rita a 18 de Outubro de 2009 às 22:02

Oh, okay. Eu devo ter escrito charuto. não xD ?
Rita a 18 de Outubro de 2009 às 22:06

Os personagens, belos e jovens, como sempre, vivem em ambiente de esplendor.

Têm os seus desenganos, mas a mocidade os ajuda a apreciar as manhãs , ao espreguiçar na cama ,de lençois de cetim...

Mª. Luísa
M.Luísa Adães a 19 de Outubro de 2009 às 10:23

ups....

O suspense mantem-se....

Adoro a maneira como escreves, a riqueza de pormenores, a frescura do texto, o encadear mas quero mais....

Bjinhos
Subjectividades a 19 de Outubro de 2009 às 12:15

As metáforas que a tua escrita porta deixam-me sempre estarrecida.
Adoro cada descrição, pois todas elas estão feitas de maneira sublime. Já não é a primeira vez que digo que a perfeição dos pormenores, o detalhar das mais pequenas coisas, me prende de forma inexplicável à história, pois não?
O vocabulário é rico, porém simples, e depois consegues conjugá-lo em frases majestosas. Fica tudo com um certo requinte e aprumo que é deveras inusual ver aqui por a blogosfera.
Dá gosto ler algo assim, sinceramente. (:
Ritaa a 19 de Outubro de 2009 às 15:12

As vezes prefiro não escrever x)
Lary P. * a 19 de Outubro de 2009 às 16:21

Dói-me , se bem que de certo modo é bom para desabafar . Mas a saudade dos velhos tempos aperta \:
Lary P. * a 19 de Outubro de 2009 às 16:43

Pa :_: pena estar quase a acabar o intervalo senao juro que lia isto :_:
Aposto que é mais um cap lindo e quando puder leio. O meu pc avariou-se por isso agora ou nos pcs da escola ou na casa de povo. :S
Hoje á noite talvez vaia à casa de povo e se conseguir leio isto prometo :)
Miss you sweetie *.*
Beijinhs <3 h
Mudei-me. Tchauzinho. a 19 de Outubro de 2009 às 16:55

Já tinha saudades desta história, Flautista.
Foi muito bom de se ler.
Está lindissimo.
Estou ansiosa para ver o que aí vem *.*
Beijinhos.
inês. a 19 de Outubro de 2009 às 17:22

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