BLOG FECHADO

24
Mar 10

Abri a porta do carro e o Fraser estava a tossir. Ofereci-lhe um lenço, ele limpou os lábios e entalou um cigarro na boca. Ele disse que um polícia tinha vindo para o multar porque o carro estava estacionado em cima do passeio, mas que tinha passado uma nota de cinquenta pela fresta da janela e que o homem tinha ido embora com as mãos nos bolsos e a assobiar.

Como é que ela está?

Igual, respondi, Continua a cheirar bem.

O Fraser riu-se, disse qualquer coisa a propósito das mulheres terem todas um cheiro diferente e arrancou.

Falaste com a Lilith?

O Fraser fungou. Ele não gostava da Lilith porque ela era uma mulher bonita e as mulheres bonitas intimidavam-no. Ele tinha medo que elas lhe roubassem a Razão e a usassem para fazer vestidos.

Liguei-lhe ontem à noite. Ela disse que as coisas estavam prontas para quando tu as quisesses.

Óptimo.

O Fraser e a Lilith já tinham sido casados. Mesmo nessa altura, ele não gostava dela, porque achava que os homens olhavam demais. A filha deles era tão parecida com o Fraser que eu chegava a pensar que ele a tinha concebido sozinho.

Ele estalou a língua e empurrou a alavanca das mudanças.

Era relativamente cedo, não havia ainda movimento nas ruas; o silêncio era tão terrível que me pareceu, por momentos, que estava surdo. Liguei o rádio e a onda de rock clássico fez o Fraser saltar no banco. Ele olhou para mim e fez uma pergunta.

O quê? Não ouvi.

Perguntei se gostavas disso.

Gosto.

Ah.

Desliguei o rádio.

Pus-me a olhar para o Fraser. O bigode dele, empoleirado sobre o lábio superior, era tão fino e tão preto que me parecia feito de pólvora. No entanto, não estava penteado, e eu soube que alguma coisa não estava bem.

Não penteaste o bigode. O que se passa?

Ele ficou agitado. Percebi isso porque ele deixou cair o cigarro e se vergou para o apanhar.

Estou nervoso. Isto pode não correr bem.

Encolhi os ombros.

Vai correr bem. A Lilith e o Mutt tratam das coisas, nós só temos de apertar o gatilho.

O Fraser mordeu o cigarro e disse dois palavrões quando o semáforo ficou vermelho.

Oxalá tenhas razão.

Voltei a ligar o rádio.

publicado por Katerina K. às 21:01

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