BLOG FECHADO

12
Mai 08

Foi num dos meus almoços curtos e rápidos com o Jonas que lhe mostrei a minha poesia. Ele leu-a, beberricando o seu sumo de laranja bem fresco, como ele gosta. Leu, de testa franzida, pousou o copo e mordiscou uma das azeitonas que vinham encavalitadas na sandes americana. Olhando o prato, perguntou:

                     - Joana, foste tu que escreveste isto?

                     - Fui...                                                                                                                             

                     - Está mesmo bom...

Sorri-lhe de uma maneira infantil e meia corada enquanto ele, ainda de olhos baixos, pedia:

                     - Mostra-me sempre os teus poemas, sim?

                     - Claro!

Então, deixando uma nota de 5 euros em cima da mesa do café, beijou-me na testa e despediu-se de mim, dizendo que falávamos mais tarde.

Só depois, quando o Jonas já ia longe, reparei que ele levara consigo o meu poema. Na verdade, era esse o meu desejo, que ele o guardasse com ele, bem perto do coração. Sei que foi isso que ele fez.

 

 

 

O Retrato

A mulher do retrato,

amante das paredes solitárias,

actriz a tempo inteiro

num sorriso falso,

encantador.

Pendente de ouro

sobre a pele de marfim,

reflectido nos olhos de prata

secos de lágrimas.

Mãos entrelaçadas no regaço,

dedos esguios,

garras geladas

envolvendo segredos

e  pérolas de colares partidos.

Mulher sem alma,

eternamente bela e presente

de olhos fixos em quem passa

se alguém passa...

Juventude em tinta,

em traços finos de um pincel.

E mesmo trancada numa tela,

sente-se o seu perfume...

 

 

 

Até ao próximo post,

Joana F.

 

 

 

publicado por Katerina K. às 18:56

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