BLOG FECHADO

28
Abr 08

Eu estava de pé, olhando o jardim, com a testa ligeiramente franzida. O meu cabelo, solto sobre os ombros e alguma parte das costas, ondoleava levemente. O Bernardo tinha acabado de ir embora, tinha de estudar para o teste de Inglês.

Fiquei ali sozinha, ligeiramente apoiada a uma árvore que por ali se encontrava, alheia a tudo o que eu pensava naquele momento. Na minha cabeça bailava aquele sorriso de escárnio que o Jonas me mandara há dois dias. Fechei os olhos, afastei aquela imagem do meu pensamento...

Foi então que, vindo do nada, ouvi:

                     - Espero que me perdoes.

Olhei, vi o Jonas, fitando-me com aqueles olhos tão bonitos. Naquele momento deixei de ver o rapaz frio.

                     - Sabes que o que me fizeste foi muito errado não sabes? - perguntei-lhe.

                     - Sei, e é por isso que espero ansiosamente esse teu perdão.

Baixei o olhar por uns segundos, perguntando-me a mim própria se valeria a pena.

«Tudo vale a pena se a alma não é pequena.» lembrei-me.

Olhei-o.

                     - Sim, perdoo. Perdoo-te por todos aqueles nossos momentos, por todas as nossas palavras, por todas aquelas lágrimas que secamos um ao outro.

                     - Sempre me perdoarás?

                     - Porquê? Tencionas repetir?

                     - Não... Nunca o faria, tu sabes disso.

                     - Sim, acho que sei.

Ele sorriu-me e eu voltei a ver a criança que havia nele.

                     - Eu preciso de ajuda. - disse ele.

                     - Sempre soube Jonas, sempre soube...

                     - Ajudas?

                     - Claro que ajudo.

Então, segurando-me na mão, ele diz:

                     - Um mês da mais verdadeira amizade...

                     - Um mês...

A árvore já não estava alheia ao que eu pensava. Talvez por isso ela me deixou abandonar o jardim com o Jonas antes de começar a chover...

Até a um próximo post,

Joana F.

publicado por Katerina K. às 19:35

26
Abr 08

O Jonas anda triste, frio, rude...

Por vezes pergunto-me se ele será realmente a pessoa que eu julgo conhecer...

 

Amanhã faz um mês que nos conhecemos. Na verdade, tudo mudou. O rapaz bonito, sorridente e feliz que encontrei nesse dia e por quem me apaixonei transformou-se completamente, tornando-se alguém escuro e cabisbaixo, sempre pálido, sempre maldisposto...

E é nos momentos em que ele me ignora ou que me responde secamente que eu fecho os olhos para as lágrimas não cair, que sinto aquelas pontadas intermitentes e desconfortáveis.

Ponho-lhe a mão no braço, ele sorri cinicamente e pergunta se eu acho que ele precisa de ajuda alguma.

«Sim, precisas.»

«Não preciso e não és ninguém para dizeres isso. Só eu sei o que sinto...»

«Isso é mentira...»

«Será mentira?»

Olhei-o de uma maneira suplicante, mas ele só me dá um sorriso de escárnio e, levantando uma mão, diz: Ciao.

 

Encosto-me à parede, penso se realmente valerá a pena...

 

Até a um próximo post,

Joana F.

publicado por Katerina K. às 17:35

23
Abr 08

Cheira a mar.

Cheira a flores.

Cheira a juventude, cheira a Primavera.

O Sol passa levemente entre as folhas verdes das árvores altas, forma desenhos luzidios no chão.

Recostei-me no banco de jardim, senti a aragem meia fresca da tarde. Pousei o lápis ao meu lado, em cima do caderno, envolvi o cabelo nas mãos, num rabo de cavalo, soltando-o ao sabor do vento em seguida.

No banco ao lado, sentava-se o velhote do costume, aquele que olha o infinito de olhos baços e vazios, que usa a camisa azul desbotada, a gravata preta e o chapéu de coco. É esquisito vê-lo ali sabendo que, na sua juventude, era uma pessoa culta e lúcida. Agora limita-se a fitar algo invisível e a dizer frases sem sentido.

«É urgente o amor.

É urgente um barco no mar.»

É isto que ele diz o velho, recita Eugénio de Andrade todo o dia, ali sentado ao meu lado.

Se lhe falar ele não me responde, apenas diz aqueles dois versos.

É um mistério bem sei, a vida daquele homem. Há quem diga que era marinheiro, outros que era pescador. Mas não sei...não sei...

Levantei-me.

«Menina, não se esqueça: é urgente o amor.» assim ele me disse.

«É urgente um barco no mar.» respondi.

Quando virei a cabeça ele já não estava lá. Sorri.

«É urgente o amor, é urgente permanecer.» murmurei, enquanto me afastava dos bancos, enquanto o chapéu de coco no chão rolava com o vento doce e morno da tarde.

Até um próximo post,

Joana F.

publicado por Katerina K. às 19:30

21
Abr 08

Eu e a Margarida sentávamo-nos no parapeito da janela.

Ela lia a Vogue, embrenhada no estudo de uns óculos de sol super caríssimos.

Fitei o tecto, olhei de relance a minha Mensagem de Pessoa em cima da cama. Ambas abanávamos levemente a cabeça ao som da Never Too Late  dos Three Days Grace.

                     - Acreditas no destino, Jo?

                     - Não.

                     - Porquê?

                     - Custa-me muito a acreditar que andamos aqui, feitas marionetas, a percorrer uma linha que alguém se lembro de desenhar, um dia.

                     - Mas não és tu que acreditas em Deus e que ele sabe tudo o que fazemos?

                     - Sim, mas isso não implica que nós não tenhamos controlo sobre as nossas vidas.

                     - Eu cá acredito que nós estamos aqui todos para cumprir um certo propósito e que já temos o destino traçado.

                     - Concordo com a primeira parte, discordo da segunda. Um propósito sim, temos, senão nunca tínhamos nascido. Mas agora destino traçado não me parece.

                     - Então não temos?

                     - Claro que não. Tu a dizeres isso estás a dizer que não temos a liberdade de escolha, que só estamos a «ler um guião».

                     - Não, nós podemos escolher.

                     - Segundo o que estás a dizer, não podemos porque o destino é algo imutável e inalterável.

                     - Não.

                     - Então concordas comigo, que não há destino.

                     - Há destino!

                     - Estás a fazer uma confusão desgraçada, tens noção??

                     - Cá para mim, façamos o que fizermos, temos o futuro já escrito e não há nada a fazer.

                     - Isso é a desculpa dos fracos, dizer que já têm o destino traçado...Achas que vai acontecer alguma coisa se ficares de braços cruzados e olhar para o tecto? Achas que as coisas te vão cair em cima por obra divina do espírito santo?

                     - Estou a ficar confusa...

                     - Tu queres é atirar as tuas responsabilidades para o destino!

                     - Não! Apenas acredito nele!

                     - Oh rapariga, a única certeza que temos é morrer! Tudo o resto da vida é o que nós fazemos dela!

 A Margarida baixou a revista e, franzindo o sobrolho, disse:

                     - Tens razão...

Até a um próximo post,

Joana F.

publicado por Katerina K. às 22:14

16
Abr 08

Eu estava em casa da Gabrielle.

É um sítio diferente. A casa é estreita e muito alta, pintada de branco, com os caixilhos das janelas verdes. Costumava ser um sítio cheio de figuras de santos e coisas religiosas, mas desde que a avó dela morreu que a mãe dela se livrou de tudo, mesmo mobílias velhas, e deu uma redecoração moderna no sítio.

Eu encontrava-me na cozinha, a bater com a ponta do chinelo amarelo no linóleo aos quadrados pretos e brancos, enchendo um jarro com sumo de laranja fresco. Os gatos da Gabi roçavam-se nas minhas pernas cobertas por uns jeans finos e claros.

                    - Janinha, vais demorar?

A voz dela vinha do quintal, onde havíamos improvisado um acampamento «de mulheres» como ela lhe chama. Já não é a primeira vez que o fazemos. Montamos uma tenda no meio do quintal, enchemos aquilo de revistas, sumo, bolachas...e ficamos lá dentro a passar um bom bocado. Desta vez decidimos ficar cá por fora. Estendemos umas toalhas no terraço, decidimos fazer o Verão na Primavera.

                     - Já vou, já vou!

Enxotei o Panda ao de leve com o pé, mas este seguiu-me, miando e fazendo-me olhinhos. Desci as escadinhas de pedra e pousei o jarro no cimento, mesmo junto à toalha da Gabrielle.

Deitei-me junto ela, suspirando fundo. A Gabi, de olhos fechados, perguntou:

                     - Já viste as nuvens?

                     - Não.

                     - Vê...observa...

À primeira vista, só vi borrões de vapor de água. Mas depois aqueles entes brancos e disformes começaram a fazer algum sentido. Dei uma risada leve.

                     - Ah, - murmurou ela - reparaste...

                     - Em quê?

                     - No homem.

Sim, realmente ela tinha razão. Havia um homem de nuvem no céu. Ele andava, saltitava... Era engraçado ver aquilo, uma pessoa de nuvem numa dimensão de nuvem, onde tudo é feito de nuvem. De repente, o homem começava a tomar feições familiares...

Abanei a cabeça...

Foi aí que a Gabrielle perguntou:

                     - Acreditas em bruxaria?

Ri alegremente, enquanto o Panda me subia para o peito e se enroscava, tentando dormir um pouco e eu o acariciava atrás das orelhas.

Até a um próximo post,

Joana F.

publicado por Katerina K. às 18:45

14
Abr 08

Chovia a potes. Eu refugiava-me debaixo das varandas, encostava-me às paredes e ficava com o casaco molhado, se bem que este já estava encharcado. O cabelo colava-se-me à testa, coisa que eu odeio, e os pingos escorriam-me pela face, parecendo lágrimas.

Arrependi-me de, nessa manhã, ter dito à minha mãe que não era preciso levar gabardine, pois estava sol.

Suspirei fundo. Fiquei meia hora debaixo daquela varanda de pedra, de telemóvel na mão, a tentar ligar ao meu pai. Deixi-lhe uma mensagem de voz.

                    

 Pai, quando ouvires isto é porque eu já devo estar à chuva há mais de uma hora. Nem sei porque tens o telemóvel, nunca atendes! Bem, eu estou aqui perto do Hospital, a gelar, completamente molhada, por isso agradecia que me viesses buscar, 'tá? Pronto, despacha-te! Beijo.

Mas ele não deve ter ouvido a mensagem, pois bem que esperei e esperei, e nada de pai.

No entanto, mesmo quando eu já havia decidido fazer-me à estrada já completamente inundada, o Afonso dobrou a esquina e encontrou-me ali a tiritar de frio.

                     - Queres boleia? - perguntou ele, debaixo de um grande e lustroso guarda-chuva azul.

                     - Se ma quiseres dar, acredita que é muito benvinda!

Abriguei-me debaixo daquele amparo meio milagroso. Dei o braço ao Afonso e encostei-me a ele, em busca de algum calor corporal que ele me pudesse dar.

Caminhamos em absoluto silêncio, o barulho da chuva nos passeios como música de fundo.

Chegados a casa dele, o Afonso sorriu e disse:

                    - Fica com ele, bem precisas. Não te preocupes comigo, tenho muitos.

Depois de ele desaparecer no corredor escuro de casa, apercebi-me que não tinha agradecido. Peguei na conta da lavandaria que tinha no bolso e, com um lápis minúsculo, escrevi obrigada pelo guarda-chuva em maiúsculas redondas. Agachei-me e coloquei o bilhete por baixo da porta. A minha esperança era que ele o visse.

Mais à frente, parou de chover. No entanto, continuei a andar de guarda-chuva aberto, só mesmo para mostrar aquele azul intenso e vistoso. Dava graça à minha pobre figura, na verdade.

Sorri sozinha, com aqueles pensamentos, enquanto os transeuntes me olhavam, interrogando-se, provavelmente, porque é que eu levaria o guarda-chuva aberto.

Simples, porque era azul.

Até a um próximo post,

Joana F.

publicado por Katerina K. às 18:51

13
Abr 08

Pousei o meu batido na mesa em forma de quadrado. A palhinha amarela dançava alegremente no líquido cor-de-rosa claro.

Recostei-me na cadeira, olhei através do vidro, vi o mar. Sorri à Ana que, na minha frente, bebia àgua das pedras fresca num copinho estreito e esquisito.

                     - Sabes, nunca pensei que água das pedras fosse tão boa...

Ri com gosto, afogando a face nas mãos.

Estava calor nesse dia, foi por isso que havíamos decidido dar uma passeata pela praia, lanchar a algum sítio engraçado e conversar toda a tarde. Agora fazemos coisas assim, eu e a Ana. Gostamos de ir para casa dela, ouvir música, comer bolachas e sujar o sofá com migalhas. Agir como autênticas crianças, na verdade.

Tive de prometer à Ana que não pensava no Jonas naquela tarde. Eu já começava a sentir o efeito de toda a tristeza que, involuntariamente, ele me transmitia. A anorexia, a morte de familiares, a má relação com o irmão... Tudo isso me afectava tanto como a ele.

O que eu desejava é que ele também pudesse estar ali comigo e com a Ana, a beber coca-cola, a rir, a ver o mar pelo vidro do café, enquanto a empregada nos olhava, deliciada, desejando ainda ter a nossa idade.

A porta estava aberta, o suave odor salgado a maresia entrava ali. A Ana fazia barulho ao beber a água, só para pegar comigo. Eu acabei o meu batido e perguntei-lhe se ela queria ficar ali ou se preferia ir à praia.

                     - Como quiseres, querida.

Deixei-me ficar no mesmo sítio. Ambas observávamos o mar a embater na areia em ondas murchas e a deixar pedrinhas para trás. Dei por mim sem pensar em nada, com a mente vazia e assim permaneci. Era bom ter, finalmente, um momento de paz de espírito, com o som suave da água do oceano, ali, no café com vista para o mar.

Até a um próximo post,

Joana F.

publicado por Katerina K. às 12:30

11
Abr 08

«Boas.» disse ele.

O Jonas estava sério, mais sério que o habitual. Eu nunca o havia visto assim naquelas duas semanas em que tínhamos vindo a falar.

Estava triste, de cabeça baixa e muito pálido, parecia que toda a vida havia sido sugada do seu corpo alto e esguio.

Aproximei-me dele num andar curto e meio nervoso, à medida que lhe perguntava o que se passava.

«Não estou bem, mais nada.»

Foi esta a resposta que obti.

«Desculpa, Jonas, mas não vou aceitar essa resposta. Eu já percebi que não estás bem. O que é que aconteceu?»

«Nada, nada. Parvoíces. Os meus momentos mórbidos, só isso.»

«Conta.»

Segui-se um período de silêncio tenso e incomodativo. Eu já havia percebido que o Jonas me tinha alguma coisa para contar há algum tempo, mas que nunca reunira a coragem necessária para o fazer.

«Eu não quero que fiques com uma má imagem minha.»

«Não vou ficar.» respondi.

Ele olhou-me bem fundo nos olhos e, enchendo o peito de ar, soltou a frase mais horrenda que já ouvi:

«Eu tenho anorexia extrema.»

 

Senti-me gelada por dentro, exasperada e horrificada.

Os seus olhos estavam inundados de lágrimas gordas e pesadas. Mas ele não chorou, manteve-se forte enquanto me contava aqueles factos tão tristes da vida.

Eu sim, chorei.

«Eu percebo-te...» disse eu «Também passei por momentos maus. Mas, sabes, uma coisa que eu aprendi em todos esses momentos é que as coisas más da vida ajudam-nos a perceber as coisas perfeitas que temos. O teu problema, com muito empenho e dedicação, com muita força de vontade, pode ser resolvido e aí sim, vais ver que estás rodeado de pessoas que te adoram e que te ajudam e que tudo é melhor do que tu vias.»

Ele tornou os lábios finos num sorriso ténue.

«Obrigado.»

E abraçou-me.

Até a um próximo post,

Joana F.

publicado por Katerina K. às 19:19

07
Abr 08

Sentei-me num banco de jardim com a Ana.

Estava frio e vento, não faltava muito para chover, mas nós precisávamos de um momento de silêncio, sem ninguém a rondar e a chatear.

Eu sabia que ela estava a olhar para mim, apesar de eu ter os olhos fechados. Senti que ela me fitava, à espera que eu dissesse alguma coisa, alguma coisa importante. Suspirei. Ainda não estava na hora de lhe falar dele. Mas ela bem sabia, ela disse-me nessa manhã: «A tua cabeça está noutro sítio, Joana. Aqui é que não está. Em quem está?».

«Não sei» respondi.

Eu sabia, na verdade. Desde aquela manhã de meados de Março que eu não tirava a cabeça dele. O seu sorriso era demasiado simples, demasiado puro, os seus olhos demasiadamente sinceros. O Jonas tomou-me de assalto, de surpresa, num ataque que eu nunca previria. Foi um momento muito ''normal'': ele sorriu, disse-me olá e beijou-me na bochecha. Sei que corei, pelo menos fiquei com as faces quentes. O Jonas foi algo que eu só tinha visto em sonhos. O típico cavaleiro de armadura cintilante, bonito, alto, de cabelo escuro suavemente encaracolado.

A Ana riu-se quando eu o descrevi, disse que ninguém podia ser assim perfeito.

Mas eu nunca disse que ele era perfeito, apenas disse que ele era o Jonas. O Jonas que faz o meu coração sair pela boca de cada vez que ouço os seus passos.

Inspirei e disse:

                              - Eu acho que estou apaixonada por ele...

A Ana sorriu.

Até a um próximo post,

Joana F.

publicado por Katerina K. às 19:51

03
Abr 08

Sou flautista.

Esta é a primeira coisa que se pode e deve dizer sobre mim, já que a minha vida é a música.

O meu nome não interessa, mas podem tratar-me por Joana.

A minha vida é um remoinho de acontecimentos, locais e pessoas, uma novela mexicana como diz a Margarida. Já fiz muitas asneiras, mas nunca me arrependi das coisas que faço, porque acho que é tudo o que vivi que me faz o que sou, até os meus erros. Menos uma jarra partida, menos uma constipação, menos uma discussão, já não era eu como sou hoje. Não me considero inteligente, muito menos sábia. No entanto, tento ser racional em todos os momentos e pensar nas consequências, se bem que às vezes não é possível.

Vivo com os meus pais numa casa de aldeia, onde os vizinhos não fazem barulho e os grilos cantam à noite. Se eu me puser a olhar da janela do meu escritório, à noite, consigo ver a cidade, ao longe. As noites aqui são limpas, com raras nuvens. Consigo ver as estrelas, deitar-me no jardim a observar as constelações. Mas as noites de verão são as melhores. Quando está um calor insuportável e não consigo dormir, desço as escadas e deito-me no jardim. Passo os dedos dos pés pela relva meia húmida e fecho os olhos, deixando-me ser levada pela brisa quente.

Passo a maior parte do meu dia na cidade, entre escola, academia de música e casa de amigos. Tenho escapadelas ocasionais: ir à praia, almoçar num café à beira mar, comer porcarias enquanto vemos Mtv, dar longas passeatas pela feira ou pela cidade.

A Margarida e a Gabrielle são as minhas melhores amigas. Conheço a Gabi desde sempre, tornámo-nos grandes amigas e fazemos tudo juntas. Fisicamente, não temos nada a ver uma com a outra, ela é escanzelada e muito alta, insiste que tem um nariz de batata apesar de não ter.  A Margarida é uma amiga mais recente, conheci-a faz 3 anos mas só ficámos assim íntimas há coisa de 1 ano. É bonita, de cabelo longo e escuro, elegante, mas diz que está muito gorda e tem de emagrecer. Não a percebo, sinceramente.

O Duarte, o David e o Afonso são os «meus rapazes». O David é o melhor pianista que eu já ouvi, apesar de ter só 15 anos. É sociável, risonho e determinado, ajudou-me em todos os momentos que eu precisei. O Duarte veio dos Açores há 1 ano e meio. Ao princípio ninguém gostava dele e ele também fazia por isso. É compreensível, ele teve uma infância difícil com a separação dos pais e teve de abandonar tudo o que conhecia para fugir de um pai que odeia. Felizmente, fiquei a conhecê-lo melhor e vi que ele não era a pessoa fria que nós pensávamos. O Afonso é um caso à parte... Ele foi o meu primeiro e grande amor, mas tão tórrida paixão transformou-se numa grande amizade. No entanto, sei que não posso confiar nele, pois ele esconde muito do que realmente é: calculista e de coração de pedra. O que ele não esconde é o grande mulherengo que é, por mais que isso me incomode. No fundo, é bom rapaz, mas tem muito que aprender com os seus próprios erros, pois toda a vida fizeram as coisas por ele e ainda querem fazer, mas isso não pode ser porque ele assim vai continuar a ser uma criança.

A Marta, a Ana, a Susana, a Francisca, a Carla, o Nuno e o Bernardo são aqueles eternos colegas de turma, sempre dispostos a fazer tudo. A Marta costuma vir dormir ao meu lado quando tem frio ou quando está muito escuro, naqueles dias que vamos de férias ou há dormidas. A Ana é mesmo querida, mas pega sempre o touro pelos cornos! A Susana e a Francisca, apesar de muito mandonas, sempre estiveram lá para mim. A Carla até é simpática, mas não gosto muito dela. O Nuno e o Bernardo são os meus parceiros de aventuras.

Depois há a minha prima Liliana, aquela rapariga que me convenceu a criar este blog porque diz que escrevo muito bem. A ela agradeço-lhe tudo o que já fiz até agora, porque foi ela a minha inspiração.

Bem, aqui estão os ingredientes da minha vida. No próximo post começarei a relatar as suas «cenas» e «actos», todos os momentos bons e não tão bons.

Espero que sejam leitores assíduos desta minha saga.  ;)

Até a um próximo post,

Joana F.

publicado por Katerina K. às 17:28

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