BLOG FECHADO

29
Set 09

            Era ele. Era mesmo ele. Violet sentiu-se soterrada, confusa, maravilhada. O pequeno adolescente de cabelo cor de chocolate amargo e olhos leitosos transformara-se num homem completamente diferente. Ela nunca pensara que ele se tivesse tornado num músico rock, que tivesse trocado o violino pela guitarra eléctrica. Por alguns momentos, que lhe pareceram longos demais, Violet permaneceu calada, a fixar os olhos maduros e a ver neles o passar dos anos. Nos lábios dele, esculpidos de carne e pele, surgiu um sorriso, escuro mas verdadeiro.

            - Violet, há quanto tempo.

            Ela abriu a boca para falar, mas desta não saiu qualquer som. Manteve-se pregada ao chão, a agitar suavemente os braços na frente do rosto, como a certificar-se que aquilo estava, de facto, a acontecer.

            - Desculpa se te surpreendi. A verdade é que, bem, mudei um bom pedaço.

            O baterista riu-se, pousando as baquetas no colo e recostando-se na cadeira.

            - Lance. Lance. Meu Deus, nem consigo acreditar. – disse ela, tapando a boca com ambas as mãos.

            - Sim, estou diferente. Mas podes acreditar, sou mesmo eu. – respondeu ele, numa estranha tirada, a qual, aparentemente, soou divertida.

            A rapariga não soube o que replicar. Estava fascinada, num sentido bom e mau simultaneamente, se é que isso era possível. Ele passou a fita da guitarra por cima da cabeça, pousando o instrumento sobre a coluna que servia de monitor. Desligou o quadro eléctrico, e as luzes dos amplificadores apagaram-se de imediato. Depois de se ter certificado que tinha deixado tudo devidamente desligado, fechou a frágil porta com um safanão e conduziu a rapariga até ao interior da casa.

            Como ela suspeitava, dentro do edifício tudo se encontrava perfeitamente organizado, não se parecendo nada com a moradia de um músico rock. Violet sentou-se num sofá corrido, encostado à parede da sala de estar, e viu Lancelot desaparecer na cozinha. Pouco depois, ouviu a sua voz.

            - Queres alguma coisa para beber? Tenho cerveja.

            - Não sabia que agora bebias álcool.

            O rosto dele apareceu no corredor, meio inclinado.

            - Desde que fiz dezoito anos. – e sorriu.

            Após sentar-se num banco em frente à rapariga e abrir com um estalido a lata de cerveja fresca que pingava gotas de condensação para o chão, cruzou as pernas e esperou que ela falasse. Como ela não o fez, cingindo-se a observá-lo atentamente, ele tomou a iniciativa.

            - Bem, conta lá porque aqui estás.

            - Também recebeste a carta do Raoul?

            Lancelot tirou do bolso das calças um papel amarrotado e arremessou-o para cima da mesinha de pinho que se erguia entre eles.

            - Recebi, há dois dias. – o seu rosto escurecia à medida que a conversa ia avançando.

            - Leste?

            - Li.

            Violet estava à espera daquela reacção, da indiferença quanto àquele assunto, tendo em conta tudo o que havia acontecido.

            - Ouve, Lance, eu sei que para ti é complicado falar disto, ainda por cima quando, obviamente, tentaste esquecer tudo o que se passou. Mudaste de vida, eu compreendo. Mas isto ultrapassa-nos a todos, é algo maior que nós. Quero a tua ajuda, preciso dela. Por favor.

            Lancelot manteve-se mudo algum tempo, sendo impossível medir os minutos que foram passando. Esfregou as mãos uma na outra, demoradamente, observando-as. Estava sério e pálido, como se a vida o abandonasse gradual e sucessivamente. Os seus olhos estavam tristes, rasgados na pele clara como pó de arroz. Entreabriu os lábios, passou a língua por eles. Depois de um largo suspiro, carregado de um sentimento parecido com arrependimento, fitou Violet.

            - Vou ajudar-te. Mas não o faço por nenhum de nós. Faço-o por ela.

publicado por Katerina K. às 20:03

Olá qerida flautista! Tudo bem contigo?
Obrigado por seguires a minha história de encantar, 15º capitulo já postado. Beijinhos
cátia reis a 30 de Setembro de 2009 às 16:59

ahaha, leite condensado xD
o nosso hoje passou grande parte da aula a gozar por causa da seguinte situação: ele há umas aulas deu-nos aquelas fichas biográfica para preencher. E houve um colega meu que, numa das linhas da tabela do agregado familiar escreveu "Cadela - seis anos - cão de guarda - efectiva".
Foi um pagode :p
ana a 30 de Setembro de 2009 às 17:31

Vou lendo aos poucos e ansiosa q cheguem as noites de Inverno para ler sossegada no meu sofá.
sara maria a 30 de Setembro de 2009 às 17:45

isso deixa-me tãoooo feliz :D
Inês a 30 de Setembro de 2009 às 18:07

Por ela? Pela jackie? *se não me engano no nome*aii '-' vou ver mais hihi
Rita a 3 de Outubro de 2009 às 23:22

ola de novo x)

ja consegui ler ate aqui...
tens ms geito para isto... na verdade a historia e mto simples mas usas mta intruduçao e mtos adjectivos... mas gustei mto... fizest.m lembrar de uma Bezt que tbm escreve assim...

vou tentar ler na quarta ate au 12 capitulo...

bjoca xP
Billinha a 12 de Outubro de 2009 às 23:42

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