BLOG FECHADO

09
Set 09

Para a Morgen.

Abri a janela, e o vento abarcou-me o rosto e os cabelos numa quente ternura estival. Os carros que passavam por nós  eram apenas borrões coloridos aos meus olhos, passando veloz e desinteressadamente. Observei a paisagem que parecia correr no sentido oposto ao nosso, com os olhos húmidos e semicerrados. Estávamos a passar por uma estrada estreita, flanqueada por altas árvores, que me lançavam sombras complicadas sobre a face. Não consegui deixar de dar uma mirada ao espelho retrovisor, para o poder ver. Continuava a guiar apenas com uma mão, a outra envolvendo o seu Blackberry colossal, acabando por o pousar no banco ao lado. Acenou-me levemente e riu-se. De súbito, a paisagem à nossa volta mudou, e fui atingida pela intensa luz do sol. Pisquei os olhos, esfreguei-os com as costas da mão. De repente, percebi.

            À minha direita, uma longa superfície prateada beijava o céu num matrimónio infinito e rosnava como um leão ferido – o mar. O Ricardo estugou o passo do carro ao entrarmos num trilho de pedra paralelo ao oceano. Ao fundo, uma solitária casa de madeira erguia-se, meio escondida pelas dunas, pouco antes do final da praia. Aproximámo-nos rapidamente, contornando a costa, e acabámos por estacionar junto do edifício. O Porsche parou ao lado do Bentley, e apeei-me a tempo de ver o Anjo puxar o travão de mão. Elevei o olhar para a casa – era maior do que eu imaginara. De madeira pintada de branco, a habitação possuía um alpendre que rodeava todo o rés-do-chão e uma extensa varanda com uma grade discretamente trabalhada.

            - Gostas?

            Fitei a Núria, que me sorria agradavelmente.

            - Muito. É encantadora.

            Um vento frio arrepiou-me quando o Francisco passou fugazmente por mim, transportando o seu grande saco de lona. A Núria pegou no meu braço, enfiando-o no dela, e conduziu-me até à porta de entrada, a qual já estava aberta. O interior surpreendeu-me, estava deslumbrantemente decorado, mas num estilo simples, quase humilde, transparecendo elegância e um gosto impecável. A madeira, o vidro e os tecidos brancos eram predominantes. Sobre a lareira, avistei outra aguarela como tinha visto na mansão, esta ainda melhor executada. Fiquei uns segundos a observá-la, a procurar a data. No entanto, esta não estava datada nem assinada. Suspirei. A Núria inclinou-se suavemente sobre mim.

            - Estou a ver que engraçaste com o quadro.

            - É verdade, - respondi, pondo uma mecha de cabelo no lugar – já tinha gostado daquela que vocês têm na biblioteca.

            - A de lá de casa foi o meu pai que pintou. Esta já não.

            - Então?

            Uma voz assolou-nos por trás.

            - Fui eu.

            Virei-me, e vi o Anjo a sair da cozinha com uma caneca amarela pendente na mão esquerda, junto aos lábios.

            - Foste? – perguntei, surpreendida.

            - Sim.

            - Uau. – foi a única coisa que consegui pronunciar.

            Depois de uns instantes de pesado silêncio, em que só se ouvia o Anjo a sorver um líquido qualquer que estava dentro da caneca, ele tomou a palavra.

            - Anda, vou mostrar-te o quarto em que vais ficar. – e fez um gesto com a mão para que o acompanhasse.

            A Núria ficou a ver-nos afastar, com os braços cruzados no peito e um meio sorriso no rosto.

 

 

 

***

 

Recebi um miminhoooo!

 


 

As regras são:

- Mencionar quem ofereceu

- Completar a frase " Eu sou luz e quero iluminar.... a escuridão do Mundo."

- Passar a 6 blogs que se considerem de luz e avisa-los da oferta.

 

 

Quem me ofereceu foi a Bolachadechocolate, que é uma querida e aproveito para mandar um beijinho para ela.

Eu sou luz e quero iluminar, pelas minhas palavras, a escuridão do Mundo.

Seis blogs? Huuum...

Mando este miminho para:

InêsM.

M.Luísa Adães

MJ

Ametista

Catherine

 

publicado por Katerina K. às 11:14

adorei o texto :) lindo

beijo
Açucena a 9 de Setembro de 2009 às 11:25

está LINDO, rapariga.
'Acenou-me levemente e riu-se. De súbito, a paisagem à nossa volta mudou, e fui atingida pela intensa luz do sol. Pisquei os olhos, esfreguei-os com as costas da mão. De repente, percebi.' Juro-te que amei esta parte *.*
Tenho mesmo a melhor professora :)
Beijinhos @
inês. a 9 de Setembro de 2009 às 12:04

esteja calada. o que eu disse é verdade :)
inês. a 9 de Setembro de 2009 às 12:22

Poisé, se calhar, tenho que postar hoje. Depois começam as aulas e eu fico sem tempo. o que é que achas? $:
inês. a 9 de Setembro de 2009 às 13:18

Okay, eu acho que vou postar agora. Já te digo alguma coisa, okay? :)
inês. a 9 de Setembro de 2009 às 14:04

Já lá está postado (:
inês. a 9 de Setembro de 2009 às 14:42

Ohh $: choraste?
inês. a 9 de Setembro de 2009 às 14:56

e o texto, achas qe está bem escrito? ou há alguma coisa a melhorar? $:
inês. a 9 de Setembro de 2009 às 14:58

obrigada, querida $:
mas diz-me lá. choraste, why ?
inês. a 9 de Setembro de 2009 às 15:01

Pronto, pronto :)
inês. a 9 de Setembro de 2009 às 15:05

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