BLOG FECHADO

14
Abr 08

Chovia a potes. Eu refugiava-me debaixo das varandas, encostava-me às paredes e ficava com o casaco molhado, se bem que este já estava encharcado. O cabelo colava-se-me à testa, coisa que eu odeio, e os pingos escorriam-me pela face, parecendo lágrimas.

Arrependi-me de, nessa manhã, ter dito à minha mãe que não era preciso levar gabardine, pois estava sol.

Suspirei fundo. Fiquei meia hora debaixo daquela varanda de pedra, de telemóvel na mão, a tentar ligar ao meu pai. Deixi-lhe uma mensagem de voz.

                    

 Pai, quando ouvires isto é porque eu já devo estar à chuva há mais de uma hora. Nem sei porque tens o telemóvel, nunca atendes! Bem, eu estou aqui perto do Hospital, a gelar, completamente molhada, por isso agradecia que me viesses buscar, 'tá? Pronto, despacha-te! Beijo.

Mas ele não deve ter ouvido a mensagem, pois bem que esperei e esperei, e nada de pai.

No entanto, mesmo quando eu já havia decidido fazer-me à estrada já completamente inundada, o Afonso dobrou a esquina e encontrou-me ali a tiritar de frio.

                     - Queres boleia? - perguntou ele, debaixo de um grande e lustroso guarda-chuva azul.

                     - Se ma quiseres dar, acredita que é muito benvinda!

Abriguei-me debaixo daquele amparo meio milagroso. Dei o braço ao Afonso e encostei-me a ele, em busca de algum calor corporal que ele me pudesse dar.

Caminhamos em absoluto silêncio, o barulho da chuva nos passeios como música de fundo.

Chegados a casa dele, o Afonso sorriu e disse:

                    - Fica com ele, bem precisas. Não te preocupes comigo, tenho muitos.

Depois de ele desaparecer no corredor escuro de casa, apercebi-me que não tinha agradecido. Peguei na conta da lavandaria que tinha no bolso e, com um lápis minúsculo, escrevi obrigada pelo guarda-chuva em maiúsculas redondas. Agachei-me e coloquei o bilhete por baixo da porta. A minha esperança era que ele o visse.

Mais à frente, parou de chover. No entanto, continuei a andar de guarda-chuva aberto, só mesmo para mostrar aquele azul intenso e vistoso. Dava graça à minha pobre figura, na verdade.

Sorri sozinha, com aqueles pensamentos, enquanto os transeuntes me olhavam, interrogando-se, provavelmente, porque é que eu levaria o guarda-chuva aberto.

Simples, porque era azul.

Até a um próximo post,

Joana F.

publicado por Katerina K. às 18:51

huuumm... lindoooo!!!

a sério, faz-me lembrar uma música da minha infância, que fala de algo muito parecido, tão lindo e simples quanto um querido guarda-chuva... e toda a panóplia de pensamentos que eles trazem! =)

post lindo, como sempre!

beijoka grandalhona,
Liliana
Palavreadora a 14 de Abril de 2008 às 22:04

Gostei!

Fico á espera do próximo post.

Bjinho
Subjectividades a 15 de Abril de 2008 às 16:57

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