BLOG FECHADO

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Jul 09

O que ouvimos não fora propriamente um barulho. De qualquer modo, fora o suficiente para todos os pêlos da parte de trás do meu pescoço se eriçarem. Agarrei o David com mais força, praticamente enterrando o seu braço no meu flanco, entre o escuro do cabedal do meu casaco. Sustive a respiração por um momento, quedando-me imóvel na escuridão da casa.

            - O que foi aquilo? – sussurrei.

            - Pode ter sido muita coisa. – respondeu ele, placidamente.

Outro barulhinho crepitou na escuridão. Senti o David a puxar por mim. Procurei a mão dele com o braço que tinha livre, pegando nela languidamente, os meus dedos indo ao encontro dos dele.

Ouvi a sua voz soar calma, quase doce.

            - Tranquila.

            - Estou tranquila.

Avançámos cegamente, sem saber exactamente para onde estávamos a ir. De repente, vimos que um laivo de luz cortava a gélida escuridão. Provinha de uma sala com a porta entreaberta, deixando a luz sair suavemente pela fresta. Outro barulho.

            - Vem dali.

Percebi que ele assentiu lentamente. Depois de termos dado uns passos em frente, o David parou. Não percebi imediatamente o porquê daquela hesitação. No entanto, uns segundos depois, ouvi alguma coisa que se sobrepunha ao silêncio. Era música, uma música tão baixa que se podia quase considerar um murmúrio.

O raio de luz iluminava vagamente o rosto do David. Estava totalmente relaxado.

            - Isto é…

            - Rachmaninov. – completou ele.

Subitamente, um sorriso rasgou-se-lhe no rosto. Soltou uma risada curtíssima e quase imperceptível. Fez-se silêncio uma vez mais, e de novo se ouviu a música.

O David esticou o braço e, apoiando a palma da mão na madeira morena da porta, abriu-a. Ela deslizou para trás demoradamente, sem um ruído, mostrando uma sala que eu bem conhecia: a sala do piano. Era ali que tudo acontecia, por assim dizer; o sítio onde o David passava a maior parte do seu tempo. Um belíssimo Steinway & Sons de cauda completa erguia-se no meio do tapete que cobria o soalho de todo o compartimento. De repente, vi a figura. Ao princípio, tomei-o por um fantasma. Depois, percebi que era um homem. Encontrava-se de costas, sentado ao piano, as suas mãos espectrais deslizando pelas teclas tão brancas quanto a sua pele. Nesse momento, uma certa frieza cresceu dentro de mim. Ouvi-o a expirar pela boca, lentamente. Um formigueiro subiu-me pela espinha, obrigando-me a estremecer. Aí, soube que ele tinha notado a nossa presença. Baixou os braços, levou as mãos ao banco forrado a veludo. O David, ao meu lado, sorria. Então, o homem virou-se e pude ver o seu rosto cor de luz.

 

publicado por Katerina K. às 14:32

obrigado pelo teu comentario (':
Melody * a 1 de Agosto de 2009 às 11:17

De nada!
Volta sempre.

Beijinho flautístico,
J.F.

OMG! Está lindoooooo!!!!!
Phoebe a 1 de Agosto de 2009 às 14:34

A sério? :o

Simmmm!!!
Phoebe a 3 de Agosto de 2009 às 13:52

Vê a quarta parte, então. Já está disponível.

Beijinho flautístico,
J.F.

Adorei, estou ansiosa pela terceira parte *.*
Caaaathyyy. a 1 de Agosto de 2009 às 14:39

Quarta. Esta É a terceira ahah :P

Beijinho flautístico,
J.F.

já postei um novo capítulo da fic, visita e comenta *--*
http://rita_cullens_diary.blogs.sapo.pt/

beijos, rii*
Rita. a 1 de Agosto de 2009 às 15:10

Lá estarei.

Beijinho flautístico,
J.F.

Olá Joaninha. Vê só, em 24 horas os comentários que já tens. é assim, porque o que tu escreves é doce de se ler. Adorei também ler este III capitulo, é um espectáculo. E adicionei aos meus favoritos. Mas descansa que quando tu publicares o livro eu vou ser um dos teus leitores. Um grande abraço e resto de bom fim de semana. Eduardo.
Fisga a 1 de Agosto de 2009 às 16:15

Espero que sim!
O quarto capítulo é o meu preferido. Lá para segunda-feira trato de o postar.

Abraço flautístico,
J.F.

Eu já aqui vim há mais tempo, mas só comentei agora porque ao ler o teu primeiro post fiquei completamente absorta e tive de ler mais. Tens mesmo jeito! Já vou adiantada aqui na leitura, mas ainda quero ler mais porque escreves mesmo bem. Continua :)
Vou mesmo passar por aqui mais vezes =)

Beijinho ;)
Sara a 1 de Agosto de 2009 às 22:09

Oh, obrigada!
Vai seguindo «O Rapaz Cor de Luz». Eu tinha programado 10 capítulos, mas um dos meus leitores sugeriu que escrevesse mais um. Assim, escrevi 10 capítulos + prólogo.
Segunda-feira postarei mais uma parte!

Beijinho flautístico,
J.F.

Vou mesmo seguir. Está lindo!
Mal posso esperar por segunda...
Bj*

Obrigada.
Que querida (:

Beijinho flautístico,
J.F.

Obrigado por teres comentado ;)

Pringles <33
PHIIdannielle™ a 2 de Agosto de 2009 às 20:51

Sempre!
Voltarei mais vezes!

Beijinho flautístico,
J.F.

Obrigada pelo comentario :)
Eu sei perdoar, só que gostava que eles os 2 se entendem-se:)
enfim..
Beijo!
Juh a 3 de Agosto de 2009 às 00:29

Quando falei em perdoar, estava a referir-me ao perdão entre eles (:
De nada!

Beijinho flautístico,
J.F.

Olá!!!Boa Noite*

Em primeiro lugar queria.te dizer que naquele dia cheguei a ler aquelas "aventuras" o que eu adorei!!!Quero continuar a ler!!!^^ e posts bem grandinhooooos!!!
Fiquei tão contente com o teu elogio, pois tu escreves tão bem, muito melhor que eu, como é que podes dizer que está perfeito??? ahhh?!:p
Obrigada pela simpatia*


*beijinhooooos e uma boa noite ou um Booom Diia*
Young MJ* a 3 de Agosto de 2009 às 02:05

Não tens de agradecer.
QUARTA PARTE JÁ DISPONÍVEL!

Beijinho flautístico,
J.F.

Olá Joana. É só para te dar os parabéns, pelo clube de fãs que estás a conseguir. é para veres que realmente a tua escrita cativa as pessoas. Abraço deste amigo Eduardo.
Fisga a 3 de Agosto de 2009 às 15:17

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