BLOG FECHADO

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Jul 09

Como sempre, cheguei atrasada. Poucas eram as vezes que eu chegava cedo ou a horas a algum lado. Mas, daquela vez, a culpa não fora minha. Entrei pelo portão aberto e percorri o caminho de terra batida a passo rápido, meia cega em consequência de já ser bastante tarde e a escuridão se abater sobre o jardim. Ao fundo, conseguia perfeitamente ver a casa do David. Nas janelas, como olhos iluminados por alento, conseguia ver que as luzes estavam ligadas. No andar debaixo, uns vultos recortavam-se na amarela claridade da noite. Baixei os olhos para ver onde punha os pés, antes que caísse. O caminho ainda era mais ou menos comprido, o que fez com que eu demorasse uns minutos a percorrê-lo. No jardim, nada mais se ouvia do que o burburinho da brisa a roçagar as folhas das árvores e o arranhar os insectos na relva bem cuidada. Ao aproximar-me da casa, já ouvia algumas vozes, provenientes da janela aberta da sala de visitas. Risos, murmúrios, barulhinhos diversos a estalar-me nos ouvidos. Dirigi-me à porta de entrada, subi os dois degraus de uma só vez e bati com os nós dos dedos na madeira envernizada. Nenhuma resposta. Estranhei que ninguém me viesse abrir a porta, já que estavam à minha espera. Bati de novo, mas mais uma vez ninguém respondeu. De sobrolho franzido, contornei a casa e espreitei a janela da cozinha. Não se via vivalma, mas a luz estava ligada. Assim, recorri à varanda da sala de jantar. Subi à grade e olhei pelo vidro semi-coberto pela cortina pesada de veludo verde. Lá dentro, só vi uma figura, uma mulher elegante de vestido azul sentada graciosamente numa cadeira junto à lareira. Mesmo sem lhe ver o rosto,  apenas o cabelo belamente apanhado, eu sabia bem que não a conhecia. Nesse momento, entrou na sala uma nova pessoa. Esta, por sua vez, era um rapaz jovem, devia ter aproximadamente a minha idade. Era alto, magro, pálido como se fosse despigmentado. O cabelo escuro caía-lhe penosamente em farripas quase húmidas sobre os olhos. Também não fazia a mínima ideia de quem se tratava, se bem que o seu rosto simples me era vagamente familiar, como se já tivesse sonhado com ele. Aproximou-se da mulher e colocou-lhe uma mão no ombro. Aí, o meu pé escorregou lentamente no granito da varanda e perdi o equilíbrio. O rapaz dirigiu o olhar rapidamente para a janela, interceptando o meu. Então, senti uma mão a cobrir-me a boca e um braço a envolver-me a cintura.

publicado por Katerina K. às 17:51

Flautista:

Texto com razoável atracção de leitura, de alguma tendência policial e acabando com algum «suspense», que não sei se será desvendado no ou num próximo «post», podendo dizer-se que sim, que deveria ter continuação.
Flautista, deixe-me, porém, dizer-lhe, e não me leve a mal, pois faço-o com humildade e com respeito por si, que há uns errinhos no seu escrito, que deveriam ser corrigidos, por agora e também para o futuro. E esclareço melhor que estou a proceder assim porque escrever bem, ou o melhor possível, sempre fez parte da minha vida e da minha actividade.
Partindo do princípio de (repare que em geral as pessoas não empregariam este «de») que me é permitido por si apontar esses errinhos, vou, então, referi-los.

- Na 4.ª linha do texto, em vez de «meia cega», correcto é «meio cega» (mesmo com o adjectivo no feminino, é sempre «meio»);
- Na 7.ª linha, em vez de «no andar debaixo», deve estar «no andar de baixo» (por oposição a «de cima»);
- Na 9.ª linha, onde está «o que fez com que», deve estar «o que fez que» (em geral usa-se nesta expressão o «com», mas é incorrecto);
- Na 11.ª linha, onde está «o arranhar os insectos», deve estar «o arranhar dos insectos» (falhou o de»);
- Na 20.ª linha, onde está «semi-coberto», deve estar «semicoberto» (o prefixo «semi» só é seguido de hífen quando a palavra seguinte começa por «h», «i», «r» ou «s») (há em geral muita confusão, mesmo em jornalistas, escritores e professores de Português, sobre o uso dos prefixos e de se lhes seguir hífen ou não);
- Na 28.ª linha, onde escreveu «se bem que [...] o seu rosto simples me era», deveria escrever «se bem que [...] o seu rosto simples me fosse» («se bem que» equivale a «embora», por isso experimente usar «embora» e verá que «fosse» é que lhe parece correcto.

De novo lhe peço desculpa.
Os meus amistosos cumprimentos.

Mírtilo
Mírtilo MR a 23 de Julho de 2009 às 23:19

Senhor/a Professor/a Mirtilo com acento no Í . Diga-me por favor se este seu post conta para a sua AVALIAÇÃO? Diga-me quantos erros dei? Cada palavra sua MINHOCA, vais apanhar 10 reguadas dizia lá na escola um professor que também dizia: MUITO RIZO POUCO SISO , porque tinha placa e não podia comer castanhas. AJA DEUS MEU IRMÃO, QUANTO CÀRUNCHO BRASILEIRO. Primentos e cantemos o Hino do Pedantismo. Seria o Dantas?

Meu querido Caravagio,
Obrigada pela protecção, mas não vale a pena nos estarmos a exaltar. :) O senhor Mírtilo deu a sua opinião, tem o direito a isso. Claro que tenho pena que tenha esventrado o texto e o tenha analisado de uma forma bastante fria e científica, e não o tenha visto como um todo, mas mesmo assim tem o direito a fazer a sua observação. De qualquer maneira, respondi o melhor que pude às críticas. E, mais uma vez, obrigada! (:

Beijinho flautístico,
J.F.

Olá Joana.A minha intenção não foi protecção (até rima) nem transformar o seu blog num ringue de box, mas há certas pessoas que lhes fazia bem, verem todos os dias 3horas dos "MORANGOS COM AÇÚCAR ". Um beijinho de bom-fim-de-semana e agora vou almoçar o novo acordo ortográfico.

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