BLOG FECHADO

08
Mar 10

                 Havia uma serenidade no rosto dele que eu não conseguia compreender. Havia um sorriso, um sorriso tão frágil que parecia perder cor à medida que os segundos passavam por ele em fuga acidental. Por instantes, as coisas paravam. As coisas perdiam importância. As coisas eram apenas coisas e não mais que coisas. Tudo tinha o sabor longínquo e dourado do Verão perdido nas memórias e dos reflexos do oceano ao amanhecer. Recordações transformadas em fiapos, enroladas à volta da cintura, amarradas nos cabelos, agitadas na brisa perpétua dos princípios do sempre.

                No rosto dele eu encontrava as frases que ele dizia em silêncio. Não havia espaços vazios, apenas a melíflua porosidade da existência. Perguntei-lhe se na serenidade dele haviam segredos.

                - Não, só há palavras invisíveis. Tu compreendes, sabes como é quando há palavras que não se vêm mas tu sabes que estão lá, queimadas nas tuas mãos e nas mãos das outras pessoas. Escondidas nas pontas dos sorrisos. Tu sabes que elas existem, mas não o podes provar, porque só sentes que elas te ardem no fundo do peito. Não há segredos; esses vêm-se, são da cor da pele e ficam pálidos quando alguém os beija.

                Perguntei-lhe porque é que ele não beijava os meus segredos.

                - Porque eles não sabem que eu existo. Se eu os beijasse, já não seriam segredos.

                Então seriam o quê?

                - Coisas beijadas.

                E os meus lábios?

                - Esses não são segredos. Esses sabem que eu existo, porque me vêm e me sentem. Falam-me e contam-me coisas que nem tu sabes.

                Coisas sobre a tua serenidade?

                - Também. E segredos.

                Eu não os vejo.

                - Porque és pessoa, e as pessoas não vêm segredos.

                Disseste que os segredos se viam.

                - Eu vejo os segredos. Mas eu não sou pessoa, sou uma palavra invisível.

                Beijei-lhe os olhos e ele deixou-me dormir ao lado dele.

publicado por Katerina K. às 22:23

ahahah xD
fii a 8 de Março de 2010 às 22:25

Isto só tem lugar num sítio. Aliás, em dois.
Nos favoritos. E na minha cabeça. Fez-me pensar.

Beijinhos, minha Flautista.
inês. a 8 de Março de 2010 às 22:31

Olá
Tudo bem?
CandyGirllNM a 8 de Março de 2010 às 22:34

Eu podia tentar tecer os melhores elogios, podia tentar dizer o quão maravilhada e abismada fico com aquilo que escreves, mas sei que tudo o que me pudesse sair das mãos iria ser muito pouco para me expressar de maneira precisa. Oh, e acho, também, que dizer que escreves estupendamente bem é desnecessário, já que tu sabê-lo perfeitamente. (: Fico-me, então, por uma palavra muito simples, mas que para mim diz tudo: (texto) perfeito!
Ritaa a 8 de Março de 2010 às 23:17

Que texto tão bonito, tão diferente.
Lary P. * a 8 de Março de 2010 às 23:30

Além de bem escrito e bonito, dá que pensar.
De uma forma quase arrepiante até.
Violinista a 8 de Março de 2010 às 23:44

Lindooooo miúda!!

Estás cada vez mais inspirada.

Bj
Subjectividades a 9 de Março de 2010 às 09:28

Está tão, mas tão bonito $:
Adorei, és uma óptima escritora <3
Dady a 9 de Março de 2010 às 15:05

Ainda bem (:
Eu gosto do que tu escreves; faz-nos esquecer tudo, só pensar no assunto.
Vais ser uma escritora famosa, de certeza :bb
Dady a 9 de Março de 2010 às 15:22

Não duvides das tuas capacidades, tens demasiado d'Aquilo que falta a muitos (se é que me entendes xD).
Devias tentar publicar um livro, a sério. Não perdias nada, querida, só ganhavas!
Dady a 9 de Março de 2010 às 15:33

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