BLOG FECHADO

22
Jan 10

             Aldous McBee revirou os olhos quando viu Sawyer Hayden, vestindo apenas um par de jeans e uma camisa cinzenta completamente amarrotada, a segurar um cigarro numa mão e um fumegante copo alto de Starbucks na outra. Nada melhor que nicotina e cafeína para arrebitar, segundo um popular grupo de agentes do Bureau. Aldous nunca fora um deles. Eram cinco da manhã.

            Sawyer viu Aldous McBee a aproximar-se hesitantemente. Com uma expressão divertida, bebeu um golo comprido de café e soltou um sonoro bom dia.

            - Bom dia. – respondeu o outro.

            Os amplos sacos negros que pendiam dos olhos de Aldous confirmavam a suspeita de que este não fazia serviço imediato de campo há bastante tempo. Talvez tempo demais.

            O Museu de História Natural de Nova Iorque, à luz pérola da manhã, emanava um charme egípcio de túmulo real; as altas colunas, a pedra branca, a sua imponente e fabulosa presença como menir no centro do burburinho citadino. Normalmente, encerrava uma das mais espectaculares colecções do mundo. Naquele momento, encerrava mais do que isso.

            Vince Moretti saiu do edifício e passou por baixo da fita amarela gravada com Do Not Cross em gordas letras negras. Na claridade matinal, Sawyer percebeu que o seu cabelo, apesar de abundante e forte, encontrava-se quase totalmente branco. O homem, de rosto cansado, acercou-se dos outros dois com as mãos nos bolsos do fato.

            - Bom dia, senhores. Temos aqui mais um presente do ladrão de diamantes.

            Sawyer expirou em prazer. Ia poder ver pessoalmente uma das cenas do crime. As fotografias, tão impessoais, não traziam o cheiro do crime, o sabor do ar pesado do nauseabundo odor a sangue. Colocou o cigarro entre os lábios para tentar disfarçar a sua ansiedade. Aldous retirou imediatamente um bloco de notas do bolso.

            - Que informação é que já temos? – perguntou, numa tentativa de parecer profissional.

            - Para já, – disse Moretti – temos dois homens aterrorizados.

            Aldous mostrou uma expressão confusa. Sawyer sorriu. Já conhecia aquela técnica.

            - E o que é que não temos?

            - Ah! – Moretti fez um gesto de satisfação – Isso já é mais interessante. Venham.

            Apesar de todo o aparato policial, Sawyer reconheceu, com algum deleite, o amplo vestíbulo do Museu. Tanto ele como o irmão, durante a infância, eram entusiastas exploradores do jurássico. Assim, aquele lugar levava-os ao auge do êxtase intelectual. Continuava tudo sensivelmente igual, no mesmo esplendor e frágil névoa que separava o conhecimento da imaginação. Passou os olhos pelo compartimento, observando os detalhes que lhe eram apresentados. No entanto, o que viu deu-lhe mais informações acerca da equipa do FBI do que acerca da investigação propriamente dita. Viu Laurie Ashton, debruçada sobre uma secretária, a fitar insistentemente um exemplar da New Yorker, como se esperasse que esta fosse levantar voo. Perto dela, Bob Barton empunhava um caderno de capa couraçada e fazia um inventário de todas as provas que haviam sido encontradas. Provas de quê, não tardariam a saber. Vince Moretti atravessou o vestíbulo, inundado pela cacofonia laboral, e estacou o passo perto de uma majestosa porta de madeira que Sawyer sabia dar acesso a uma das salas de exposição.

            - O que temos – disse o Director – não é fácil de explicar aos jornalistas, muito menos ao Mayor. O Museu é um edifício extremamente seguro; no entanto, foi, efectivamente, roubado. Se isto sai da maneira errada, é provável que tenhamos um problema burocrático entre mãos.

            Aldous assentiu, à medida que crescia nele a impaciência de ver o que aquela porta escondia. Sawyer, pelo contrário, já esperava tudo. O que quer que fosse que tivesse acontecido, não seria nada que ele já não tivesse imaginado. Quando a equação envolvia um indivíduo tão ou mais deturpado que A Rainha, já se esperava o inesperado.

            - Entremos.

            Ambos os homens reconheceram a sala de exposição dos diamantes, apesar de esta ter sido obviamente redecorada. As paredes, pintadas de negro, concediam uma sensação de infinito, apenas quebrada pela presença de inúmeras vitrinas de vidro duplo que continham as mais valiosas pedras preciosas do mundo. Rubis, safiras, topázios, pedras de jade, águas-marinhas, enormes ametistas e esmeraldas enchiam as vitrinas, dispostos de forma profissional e agradável à vista, perfeitamente inventariadas e etiquetadas. No centro da sala, erguia-se um expositor maior e mais alto, com base de ferro maciço. No entanto, encontrava-se vazio. A voz de Vince Moretti pareceu mais pequena ao atravessar o compartimento.

            - Neste momento, estava em exposição a colecção permanente e privada do Museu. A pedra roubada fazia parte desse vasto leque e, sem exagerar, é possível dizer que se tratava da mais rara de todas elas. Chama-se Labareda, as suas características são semelhantes às do Brilho do Pacífico, à excepção da sua cor. O Labareda é um diamante vermelho que já pertenceu à colecção de, entre outros, Jonathan Steel.

            Sawyer franziu o sobrolho. Confundia-o o facto de esse homem estar sempre, de algum modo, relacionado com os roubos. Decidiu fazer uma pesquisa sobre isso quando voltasse à sede.

            - Agora, o que mais nos inquieta é o facto de as provas físicas serem extremamente reduzidas. Não há impressões digitais nem resíduos orgânicos, apenas um par de pegadas afundadas na carpete ou um minimal conjunto de fios. Mais nada. E, apesar de termos dois guardas como testemunhas, a única coisa que eles afirmam terem visto é a sombra do monstro.

            - Não foi essa a expressão que os seguranças do Jonathan Steel também usaram? – perguntou Aldous.

            - Sim. – respondeu Moretti – É curioso, não é?

publicado por Katerina K. às 21:40

Continuas cheia de garra miúda!!!

É isso mesmo, estou a adorar e a ficar viciada nos teus rascunhos.

Bjs

Bom se achas demais a palavra "vicío" eu também te digo que há vicíos bons....

E o que é que a menina tem a ver com isso??? Continue mas é a escrever sim!

Ok ia ser engraçado descobrirmos que o ladrão era o Homem das Neves que resolveu vir de férias xD

Esquece lá isto :P Beijos
sheisnothere a 22 de Janeiro de 2010 às 22:50

AAAH, que bom que este capitulo está. *-*
Tão emocionante. Quero A Rainha. :c
Beijinhos. Bom fim de semana! (:
Inées. a 22 de Janeiro de 2010 às 23:06

Começo a desconfiar desse Steel e desse ladrão.
A primeira coisa em que pensei quando li "sombra do monstro" foi num Velociraptor. Que, pensando bem, tão era um óptimo ladrão.

E obrigada pelo teu comentário lá no meu cantinho.
Violinista a 22 de Janeiro de 2010 às 23:38

Yes, it is :tt
(Oh Gosh, estou atrasada na história, mas não me esqueci. Vou só adiar a leitura para amanhã, visto que hoje já é um poquinho tarde :3. so sorry :3)
Beijinhos ^^
Rita a 23 de Janeiro de 2010 às 00:01

Lindo : D
pαtrýciαtk. ♥ a 23 de Janeiro de 2010 às 00:36

Cada vez melhor.
inês. a 23 de Janeiro de 2010 às 10:32

Não sei o que dizer, porque é esse efeito que a tua escrita exerce sobre mim.
Que mais posso dizer senão MAIS MAIS MAIS?
És perfeita no que toca à escrita, Continua.
Mariana* a 23 de Janeiro de 2010 às 11:29

a sombra do monstro ? :O
adorei :D
e tens razao, cada vez está a ficar melhor ^^
cαтн Ϟ a 23 de Janeiro de 2010 às 13:40

Peço desculpa por não ter comentado nos últimos dias mas foi-me impossível vir cá estas emanas tem sido uma grande correria. Quanto á história devo dizer que adorei a ideia e que tal como sempre acabo por dizerestás fantástica :D

Postei hoje mais um pouco..

Beijos

Sofia
sofiα6B a 23 de Janeiro de 2010 às 18:19

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