BLOG FECHADO

14
Nov 09

            Paul Carter, na escuridão da sua cela, deitava-se de olhos cerrados na cama, deixando a sua respiração profunda ser o único ruído que se manifestava. Cumpria o terceiro ano da sua penitência de quinze, encarcerado num mundo de betão que o rodeava e perseguia, até mesmo nos sonhos. Ganhara o hábito de não dormir mais de quatro horas; sabia os olhos que se cravavam nele através das grades e que brilhavam na penumbra dos segredos. Ouviu o discreto tamborilar de dedos do guarda prisional no corrimão das escadas e o desafinado assobiar com o qual insistia em presentear os presos. Esgrimiu o cassetete contra as grades de ferro, apertando o taser bem dentro da mão esquerda. Paul não se moveu, continuando de olhos fechados e mãos cruzadas sobre o peito, sem que qualquer expressão se manifestasse. O guarda deteve-se em frente à sua cela, a bater insistentemente com o cabo do cassetete no ferro. Uma, duas, três vezes; o som da pastilha elástica de nicotina a ser mastigada e revolvida dentro da boca.

            - Sabes, Carter, - a voz do guarda soou como melaço na escuridão – sempre quis saber porque aqui estás. Quer dizer, quinze anos é um pedaço, e tu pareces ser um tipo atinado. O que te deu?

            - Cala-te, Malko. – replicou Paul, num bloco poderoso, mas calmo, de voz.

            Malko sorriu, encostando-se à porta da cela com brusquidão.

            - Vá lá, não sejas assim.

            - Vai-te embora.

            A voz do preso vizinho, Georges Medina, fez-se ouvir através das paredes.

            - Aqui o nosso amigo Carter roubou uns bancos, matou uma miúda e tentou matar o namorado dela.

            O guarda prisional soltou uma gargalhada de satisfação.

            - E só apanhaste quinze anos? Deves ter um advogado daqueles.

            Na mente de Paul brilhou um rosto, o rosto de Jacqueline Soleil.

            Não a matei, pensou, mas mandei matá-la.

 

            A manhã seguinte deu-se a conhecer numa claridade branca que entrou gradualmente pela única janela da cela. Paul Carter estava sentado no chão, com a cabeça encostada ao lavatório, a desenhar num pedaço de papel com um lápis de carvão roído: era um olho, grande e belo, com compridas pestanas que partiam das extremidades das pálpebras. Da cela do lado, ouviu-se a tosse rouca de Medina e o som de água a escorrer pelo ralo. A porta gradeada deslizou para o lado com um guinchar metálico e Malko encaixou o seu grande corpo no umbral. À luz matinal, o guarda parecia uma enorme estátua coberta a serapilheira, a sua pele a brilhar gordurosamente quando os feixes luminosos lhe atingiam a fronte. Pigarreou.

            - Ouve lá, Carter, estás acordado?

            - Claro.

            O silêncio foi imediato e obrigatório, quase como um buraco negro no tempo. Malko sentiu-se involuntariamente arrepiado com o timbre de voz do preso. Limpou o suor da testa à manga do uniforme e rematou a conversa.

            - Levanta-te e mexe-te. Tens uma visita.

publicado por Katerina K. às 22:16

Hoje, digo só que está lindo e que me agrada imenso o mistério que continua a reinar nesta história.
inês. a 14 de Novembro de 2009 às 22:42

ola querida (: como estas? ainda bem que postas-te, ja estava com uma certa saudade de ler a tua fic. Pois tens razao esta nova personagem é completamente desconheçida mas já entendi o que se passou de certa forma. Estou quase actualizar-me em tudo, tenho tido um pouco de trabalho por isso é normal nao me actualizar tao rapido como queria, mas voume actualizando como posso :)
Gostei do capitulo, nao é muito revelador mas de certa forma gosto mais de uma vez da forma de escrita que sempre utilizas. Fico anciosa a espera de um novo capitulo
Beijinhos
Cris ♥ a 14 de Novembro de 2009 às 22:43

Mais um *--------------*
Eu disse-te, as ideias iam voltar todas :D
Cada vez gosto mais @

anna williams a 14 de Novembro de 2009 às 22:47

Ui, querem ver que é a Jacqueline? Ou o Jesse, a Violet?
Pronto, eu sei que já te disse isto milhões de vezes, mas tu escreves tãaao bem. Não queres fazer o meu nanowrimo por mim? Ainda não tenho nada definido, nada mesmo :3 You are a lucky girl :tt
Rita a 14 de Novembro de 2009 às 22:49

woooow, a Jacqueline foi visitar o Paul ? :O
adoro esta história, fico em pulgas xD

beijinho
Catherine a 14 de Novembro de 2009 às 22:51

Mas, quando vês que te orgulhas do que escreves, esses momentos passam a ter menos importância, aposto! :tt
Rita a 14 de Novembro de 2009 às 22:53

Olha, eu também sou assim (mas o que eu escrevo é mesmo muito mau). Se fizer alguma diferença, acho que tens imenso talento, assim como o resto das pessoas que lê, comenta e demonstra gostar das tuas histórias. o importante é nunca desistir. Eu, que escrevo pessima e horrivelmente mal, não o faço, por isso é ainda mais importante que tu, que és talentosa, não o faças ^^
Rita a 14 de Novembro de 2009 às 23:00

(: Espero que vás gostar.
Isso é bom ou mau ?

- Beijos.
Daqui a pouco leio este cap (:
Mudei-me. Tchauzinho. a 14 de Novembro de 2009 às 23:05

Okay, eu vou só buscar um lencinho para me limpar do quão babada me deixaste com esse comentário! Seriously, obrigada :tt Principalmente, porque ultimamente não tenho tido muita inspiração, como tinha nos primeiros posts do blog, mas realmente fizeste com que uma luzinha se acendesse em mim. É bom saber que cativo as pessoas, pelo menos com a escrita.
Thanks, really *-*
Rita a 14 de Novembro de 2009 às 23:11

Postar, postar e postar @
Estou ansiosa ^^
Também vou tentar postar com mais frequencia :D
anna williams a 14 de Novembro de 2009 às 23:13

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