BLOG FECHADO

05
Out 09

            Raoul corrigiu a sua posição e, lentamente, retirou o revólver do cós das calças, rodando-o demoradamente nas mãos. Era uma .44 Magnum Colt Anaconda de 1990 de coronha negra. Acariciou-a, como se a qualquer momento fosse premir o gatilho. Lambendo os lábios ao de leve, apenas para tentar humedecer as palavras que se preparava para dizer, encostou-se no espaldar no cadeirão.

            - Desculpem lá isto da arma. – suspirou – Ando com ela não tanto por segurança, mas para um certo…como dizer?...conforto espiritual.

            Os restantes baixaram os olhos para o chão, num pesar digno de luto. Após deixar aquela frase em suspenso, Raoul voltou a falar.

            - Vocês costumam ter pesadelos?

            Jesse ergueu subitamente a cabeça para o fitar, com o cenho franzido e os lábios entreabertos.

            - Sabem como é aquela sensação de estar numa determinada situação, querermos sair dela e não sermos capazes, como nos pesadelos? – continuou – Sinto-me assim, agora.

            Jesse suspirou, esfregando os olhos com o punho.

            - Desculpa interromper-te, Raoul, mas não entendo como isso tem alguma coisa a ver com o que nós estamos aqui a fazer ou com a carta que nos mandaste.

            O outro olhou o tecto, mordeu o lábio inferior e expirou lentamente pela boca.

            - Há coisa de um mês, - disse Raoul, nalgo que se assemelhava a um murmúrio – a Don saiu de casa mais cedo do que o costume para ir ao Le Château estudar sem ter ninguém a incomodá-la. Eu pedi-lhe para ela levar a minha flauta ao Alex para ele arranjar uma chave solta. Estava frio, portanto insisti que ela levasse o meu sobretudo comprido, que o dela estava na lavandaria. Entretanto, ela saiu e eu fiquei em casa a acabar um trabalho de História da Música. Fiquei espantado quando a Don voltou dez minutos depois, branca como a cal, a dizer que achava que estava a ser seguida por alguém que chamava o meu nome. Ao princípio, achei que era patetice da parte dela, mas no dia seguinte, quando saí, reparei que estava a ser observado. Não percebi se era um homem ou mulher, só vi um vulto negro que desapareceu um minuto depois.

            Fez uma pausa, ofegante, para recuperar o controlo da respiração. Violet observava-o, com os olhos ambarinos muito abertos, atenta ao que ele dizia mas sem perceber muito bem, tal como Danny, Lancelot e Edward. Jesse, por sua vez, entendeu imediatamente onde Raoul queria chegar. O que ele estava prestes a revelar era, na verdade, grave.

            - Nas semanas seguintes, não voltou a acontecer nada do género, portanto esquecemos aquilo que se tinha passado. Tínhamos mais com que nos preocupar. Mas há semana e meia aconteceu algo pior. Eu e a Don estávamos na aula de Técnicas quando o Alex entra disparado no Auditório, a chamar por nós, afogueado como eu nunca o tinha visto. Fomos até ao gabinete da Céline, e ela estava sentada na cadeira, imóvel, pálida, a hiperventilar. Quando perguntamos o que se tinha passado, ela olhou para nós como se não estivesse a ouvir-nos, mas, depois, disse.

            Todos respiraram ao mesmo tempo, com a tensão a acumular-se no interior do compartimento. As chamas crepitaram, curiosas, na lareira, como se também quisessem saber o que Raoul ia proferir. Assim, depois de um silencioso e pesado momento de mudez, o rapaz concluiu o seu relato, num tom de voz penoso e dorido, que atingiu os outros cinco como um soco no estômago.

            - Ela viu a Jacqueline. A Jacqueline está viva.

 

publicado por Katerina K. às 11:36

Esta história, cada vez tem mais mistério :o
E o promenor da arma, ai nossa senhora *-*
ADOREI.
E fui a primeira, yeeeey 8D
Beijinhos, Flautista @
inês. a 5 de Outubro de 2009 às 11:43

woow, isto cada vez está melhor :D
ainda deve faltar muito, mas estou desejosa de ver como isto acaba :)
ana a 5 de Outubro de 2009 às 11:51

Há algum tempo que não vinha aqui, o que significa que já não ligo o computador há alguns dias.
Esta história está a deixar-me cada vez mais curiosa. Não da mesma maneira que as outras deixaram, penso eu. Esta destaca-se pelo enredo, a intriga,... Nunca descurando os pormenores. Os outros contos focavam-se mais nas personagens e nas relações entre elas. Nos outros contos queria descobrir o que se ia passar a seguir. Neste, quero desesperadamente saber o que se passou e como tudo se irá resolver.
Acho que a tua jogada com a dimensão temporal é fantástica.

Beijos
Ana
Jane Doe a 5 de Outubro de 2009 às 12:47

O.O
Como é que tu te atreves a dizer que eu escrevo bem? Já te deste conta da dimensão das tuas palavras? Do imenso poder que tens para mexer com elas e formar histórias simplesmente fantásticas? (:
Dizer que amei é muito pouco para demonstrar o quanto gostei disto, a sério.
Escreves com uma exactidão tão precisa.
Adoro, de uma forma única, o requinte que todos os capítulos portam. Céus, é perfeição pura!
Tenho que admitir que fiquei completamente, totalmente, viciadíssima nesta história. Oh, e vou acompanhá-la, com toda a certeza. (:
Importaste que te adicione? ^^
Beijinhos, querida.
Ritaa a 5 de Outubro de 2009 às 13:04

Pois, vou ler os teus posts mais antigos para ver se consigo entender melhor. a minha amiga já esteve internada e actualmente vai a várias consultas. espero que ela consiga melhorar. eu, como não estou com ela muitas vezes, não costumo falar muito com ela, pois ela também não está muito na internet, mas as outras amigas perto dela ajudam-na muito tal como a família :)

Adorei mesmo este capítulo! Que suspense, que acção *.* Está fantástico
estou mesmo a gostar :'D

Beijinhos
*
Catherine a 5 de Outubro de 2009 às 13:39

obrigadaaaaaaaaaa :D
gostei muito da tua fic *-* tá mesmo bonita, tambem tens jeito :b
Beijinhoooo*
Bia e Leninha ♥ a 5 de Outubro de 2009 às 14:18

É meu anjo estou a tentar , mas isso não deixa de me entristecer as vezes ao vê-lo dizer tudo o que me dizia , a ela .
Obrigada pelo apoio . *
Lary P. * a 5 de Outubro de 2009 às 15:19

Obrigada mesmo por me dizeres :D
Então tenho que fazer uma correção no meu blog x)
Beijinhs*
Mudei-me. Tchauzinho. a 5 de Outubro de 2009 às 15:48

É oficial x)
Vou ler agora mesmo a tua historia.
Os comentários dizem tantos elogios que fiquei curiosa.
Beijinhs
Mudei-me. Tchauzinho. a 5 de Outubro de 2009 às 17:43

Oh, acredita que não exagerei em nada, minha querida. (:
Mesmo que tenhas que melhorar (e isso todos nós temos; se bem que tu pouco terás, visto que o aprumo com que escreves já é imenso!), não posso tirar o valor da perfeição com que nos congratulas.
Tens um dom, de verdade. E penso que não sou a única a dizê-lo, correcto? ;)
Talvez seja da tão bem consagrada descrição das coisas, de atingires o mais ínfimo pormenor, ou então simplesmente pelo teu imenso jeito e imaginação, não sei... Apenas tenho consciência que consegues cativar; que consegues, de maneira única, levar-me para uma outra dimensão, onde tão deleitosamente me perco na história. Visualizo as personagens, os sítios... consigo visualizar tudo com demasiada exactidão.
Na minha modesta opinião, de amadora tu não tens absolutamente nada.
E digo-te que adorava ver um livro teu publicado. Sim, porque se os laivos de perfeição já se reflectem nestes contos, a minha curiosidade aguça para saber como seria um livro feito por ti.
E, bem, vou-me deixar de divagações, que isto já está a ficar demasiado grande e entediante. x)
Ah, mas fica ciente que tudo aquilo que disse é mesmo o que penso.
És uma escritora excepcional, podes ter certezas disso. (:
Ritaa a 5 de Outubro de 2009 às 18:21

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