BLOG FECHADO

14
Ago 09

Para a Ametista.

 

Uma semana depois, eu estava em casa da Ariel. Tínhamos almoçado bem e o processo da lavagem da louça revelara-se muito pouco complicado. Acomodámo-nos na sala de estar, com a televisão ligada, a comer morangos com chantilly e línguas de gato.

            - Diz-me, - proferiu a Ariel, com a boca cheia e a sacudir os dedos – como foi a tua estadia em casa do David?

            - Boa. – respondi – Tu sabes, o costume.

            - Estou a ver.

Ela arrumou o assunto, e eu agarrei os joelhos, encostando-os ao queixo. Tínhamos começado uma nova conversação sobre os nossos programas para aquele fim-de-semana quando a Dona Marta, a mãe da Ariel, abriu a porta de mansinho e enfiou a cabeça na fresta.

            - Joaninha, querida, queres que lave as tuas calças de ganga?

            - Se não se importar. – respondi, grata – Quanto fomos lá fora, a Rubi sujou-me toda.

            - Essa cadela cansa-me a alma! – disse a Dona Marta, suspirando – Não te importas que verifique se deixaste alguma coisa nos bolsos?

            - Não me importo, - disse eu, encolhendo os ombros – mas tenho quase a certeza de que estão vazios.

A mãe da Ariel deixou-nos de novo sozinhas, dando-nos liberdade para retomarmos a nossa conversa. No entanto, uns minutos depois, regressou, e entre o polegar e o indicador da mão esquerda trazia um papel branco dobrado em quatro.

            - Isto estava num dos bolsos da frente.

Apontou na minha direcção com o papel. De sobrolho franzido, peguei nele e voltei a sentar-me. Depois de ela ter ido embora, abri-o com extremo cuidado. Li-o, e na minha face deve ter ficado impressa uma expressão de choque total, pois os olhos verdes da Ariel brilhavam perversamente de curiosidade.

            - O que é, o que é?

            - É um…bilhete. – demorei uns segundos a soltar aquela última palavra.

            - O que diz? – perguntou ela, ávida.

            - «Sou demasiado teatral e arrepiante. Mesmo assim, visita-me, por favor.»

Pousei o papel e fitei-a. Estava visivelmente confusa, mas ainda assim ansiosa.

            - Quem escreveu isso?

Ri-me, observando aquela caligrafia inclinada e perfeita, como se tivesse sido medida com uma régua. Voltei a erguer os olhos para o rosto corado da Ariel.

            - É uma história comprida. Muito comprida.

 

 

 

                                                           FIM

(?)

 

 

Acaba aqui esta série. Espero que tenham gostado.

Mas um fim é sempre o início de algo novo.

 

publicado por Katerina K. às 14:11

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