BLOG FECHADO

21
Abr 08

Eu e a Margarida sentávamo-nos no parapeito da janela.

Ela lia a Vogue, embrenhada no estudo de uns óculos de sol super caríssimos.

Fitei o tecto, olhei de relance a minha Mensagem de Pessoa em cima da cama. Ambas abanávamos levemente a cabeça ao som da Never Too Late  dos Three Days Grace.

                     - Acreditas no destino, Jo?

                     - Não.

                     - Porquê?

                     - Custa-me muito a acreditar que andamos aqui, feitas marionetas, a percorrer uma linha que alguém se lembro de desenhar, um dia.

                     - Mas não és tu que acreditas em Deus e que ele sabe tudo o que fazemos?

                     - Sim, mas isso não implica que nós não tenhamos controlo sobre as nossas vidas.

                     - Eu cá acredito que nós estamos aqui todos para cumprir um certo propósito e que já temos o destino traçado.

                     - Concordo com a primeira parte, discordo da segunda. Um propósito sim, temos, senão nunca tínhamos nascido. Mas agora destino traçado não me parece.

                     - Então não temos?

                     - Claro que não. Tu a dizeres isso estás a dizer que não temos a liberdade de escolha, que só estamos a «ler um guião».

                     - Não, nós podemos escolher.

                     - Segundo o que estás a dizer, não podemos porque o destino é algo imutável e inalterável.

                     - Não.

                     - Então concordas comigo, que não há destino.

                     - Há destino!

                     - Estás a fazer uma confusão desgraçada, tens noção??

                     - Cá para mim, façamos o que fizermos, temos o futuro já escrito e não há nada a fazer.

                     - Isso é a desculpa dos fracos, dizer que já têm o destino traçado...Achas que vai acontecer alguma coisa se ficares de braços cruzados e olhar para o tecto? Achas que as coisas te vão cair em cima por obra divina do espírito santo?

                     - Estou a ficar confusa...

                     - Tu queres é atirar as tuas responsabilidades para o destino!

                     - Não! Apenas acredito nele!

                     - Oh rapariga, a única certeza que temos é morrer! Tudo o resto da vida é o que nós fazemos dela!

 A Margarida baixou a revista e, franzindo o sobrolho, disse:

                     - Tens razão...

Até a um próximo post,

Joana F.

publicado por Katerina K. às 22:14

Excelente! há poucas pessoas que conversem ou postem, mesmo, sobre estas coisas, sabias?

Bem, eu acredito muitíssimo na existência de Deus. Não acho que tenhamos traçado o nosso destino de forma inevitável, como se o facto de estar a escrever isto agora fosse algo inalterável se eu voltasse a viver outra vez. Apenas acho que Deus já tem a nossa vida toda escrita para todas as escolhas que façamos.

Quero dizer que acho que se escolher beber café de manhã, Deus terá escrito o que acontecerá nesse caso, bem como tem escrito o que acontecerá se eu escolher antes leite simples. E acho que é assim com todas as escolhas da nossa vida, grandes ou pequenas... e, se pensarmos bem, 99% da nossa vida é feita de escolhas.

É um tema excelente, este. Parabéns, agrada-me mesmo muito ver um tema tão interessante aqui no "Rascunhos..." =)

desculpa o testamento

Beijinhos***
Lili**
Palavreadora a 21 de Abril de 2008 às 22:42

Bem, decidi mexer nos arquivos e deparei com isto :)
Never Too Late, uma musica que eu venero +.+
Em 2008 já escrevias muitissimo bem :D
Beijos.
Mudei-me. Tchauzinho. a 21 de Fevereiro de 2010 às 16:59

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