BLOG FECHADO

11
Ago 09

Para o Eduardo.

 

Eram onze horas, um calor morno debruçava-se sobre o pátio onde eu estava sentada a ler. Os raios de luz esgueiravam-se pela ramada que me cobria a cabeça, derramando uma claridade esverdeada sobre o local. Absorta na minha leitura, nada mais ouvia do que o gentil restolhar das páginas e o canto brilhante dos pássaros. Parecia finalmente ter encontrado um momento de serenidade e paz naquele sítio. A casa do David era um edifício antigo, semelhante a um palacete, que se estendia por uma ampla propriedade espraiada no gigantesco jardim de um eterno verde. O imenso portão de ferro marcava o final do caminho de terra batida, revestido de um lado por uma ramada de kiwis, que desembocava na rua estreita e ladeada por pequenas casas de todas as cores. Mas, de todo aquele lugar rústico, quase histórico, o meu sítio favorito era o pátio onde estava naquele momento. Como se encontrava virado para oeste, era a parte mais fresca da propriedade, de manhã. Por essa razão, eu ali me instalara.

            - Está um dia quente, não está?

Assustei-me, soltando um involuntário e surpreso «oh!». O Anjo materializara-se junto a mim, com as mãos unidas atrás das costas e uma expressão sem revelar o que quer que fosse. Pousei o livro no regaço e levei a mão ao peito, soltando um suspiro de alívio.

            - Desculpa. – disse ele – Costumo ter este efeito nas pessoas.

            - Ah, sim? – proferi, sem conseguir esconder a ironia pendente na minha voz.

            - Sim, como podes ver. Sou uma pessoa bastante dramática, é um defeito horrível.

            - Não, se for doseado.

O Anjo assentiu, tomando graciosamente o banco de pedra à minha frente. Cruzou as pernas compridas, recostou-se no granito.

            - Dosear não é bem o meu forte.

Sorriu, de uma maneira que localizei entre o sarcasmo e o escárnio. No entanto, eu provavelmente estaria enganada, já que só se conseguia ler no Anjo o que ele queria que se lesse.

            - Nem o meu. – admiti, sem deixar de corar ligeiramente.

            - Pois, eu calculei que não fosse.

Fechei o livro.

            - Joana?

            - Sou eu.

            - Eu assusto-te?

            - Sinceramente?

            - Convinha.

            - Assustas.

            - Bem, lamento.

            - Eu não. – disse, encolhendo os ombros.

Ele olhou-me de uma forma suavemente interrogativa.

            - Arrepias-me, mas não te odeio. Nem te conheço. É razoavelmente imprudente fazer juízos sobre as pessoas sem saber nada delas, não achas?

Não houve tempo para uma resposta, nem sequer para uma reacção. As majestosas portas envidraçadas da sala do piano abriram-se ruidosamente, e um David de tez saudável e porte jovial saiu para o pátio.

 

publicado por Katerina K. às 11:24

Lá tinha de andar a minha mente perversa à solta...a minha mente é uma marota...upa,upa!!!^^

E continuo na minha....saudades??talvez =D

Agora em relação ao IX...mas esta gente não tem mais nada para fazer a não ser incomodar a Joana e o Anjo...fogo!!!=P
J a 11 de Agosto de 2009 às 11:32

Oláaaaa*

bem, eu andei a actualizar.me! 2 capitulos em atraso ne nem sei o que te dizer... Aquele ponto de vista da Joana é muito racional sobre o assustar e o odiar, Lindo!!!^^

Quando é que é mesmo o final?

*beijinhos
Young MJ* a 11 de Agosto de 2009 às 11:56

O capítulo seguinte é o final, mas a pedido de um leitor adicionei mais um prólogo, que abre as portas para uma nova série :P

Beijinho flautístico,
J.F.

Os teus textos têm sido uma das minhas companhias nocturnas, agora que fiquei sem férias...
sara maria a 11 de Agosto de 2009 às 12:01

É bom saber que servem de companhia a alguém! :D

Beijinho flautístico,
J.F.

Parece que há alguém que quer momentos a sós com o David *lala*
J a 11 de Agosto de 2009 às 12:44

Não sei..não sei....suposições^^
J a 11 de Agosto de 2009 às 13:53

Olá minha querida amiga Joaninha. Eu não sei por onde começar, mas essa tua dedicatória, se o Eduardo sou eu, me deixa completamente sem jeito como diria um amigo Brásilero. Pois eu tenho andado completamente enrolado com o meu trabalho no p. c. Eu tenho mais olhos que barriga, eu devia ter só metade dos blogs. Que tenho para comentar, mas eu vejo uma coisa de que gosto. Não me contenho e entro, comento, depois estou aflito para dar a volta a tudo. Mas voltando ao teu trabalho. Tu és magnifica a escrever, tu não podes parar, mas também não podes escrever e pôr na prateleira. Agradeço-te do coração a dedicatória, e que Deus te dê muita saúde e inspiração para continuares cada vez com mais força. Eu já estou meio velho, isto é, estou a meio da idade, mas ainda gostava de ver o teu nome Num lugar de grande destaque. Será que me dás esse prazer? Obrigado. E Um grande abraço. Eduardo.
Fisga a 11 de Agosto de 2009 às 15:34

Talvez. São coisas que o tempo, e apenas o tempo, dirá.

Abraço flautístico,
J.F.

está lindo. aliás, como já era de esperar (:
queria-te pedir um favor. se não fosse muito incómodo, passavas no meu blog e dizias o que é que achas dos meus textos. basta só de um ou dois. achas que pode ser? $:
- beijinhos,
inês. a 11 de Agosto de 2009 às 16:43

Claro! :)

Beijinho flautístico,
J.F.

obrigada (:

Obrigada por tudo o que disseste (:
Gostei muito dos teus comentários *.*

Beijinhos,
inês. a 11 de Agosto de 2009 às 17:03

Não tens que agradecer, miúda. Só digo verdades. :)

J.F.

Uhm..será que não vale mesmo a pena supor?? xD
J a 11 de Agosto de 2009 às 18:08

Sabes como é...esta cabeça não é capaz de parar sem ideias...8)

E tu fazes-me mesmo lembrar uma pessoa!!^^
J a 11 de Agosto de 2009 às 19:08

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