BLOG FECHADO

22
Jul 09

Como sempre, cheguei atrasada. Poucas eram as vezes que eu chegava cedo ou a horas a algum lado. Mas, daquela vez, a culpa não fora minha. Entrei pelo portão aberto e percorri o caminho de terra batida a passo rápido, meia cega em consequência de já ser bastante tarde e a escuridão se abater sobre o jardim. Ao fundo, conseguia perfeitamente ver a casa do David. Nas janelas, como olhos iluminados por alento, conseguia ver que as luzes estavam ligadas. No andar debaixo, uns vultos recortavam-se na amarela claridade da noite. Baixei os olhos para ver onde punha os pés, antes que caísse. O caminho ainda era mais ou menos comprido, o que fez com que eu demorasse uns minutos a percorrê-lo. No jardim, nada mais se ouvia do que o burburinho da brisa a roçagar as folhas das árvores e o arranhar os insectos na relva bem cuidada. Ao aproximar-me da casa, já ouvia algumas vozes, provenientes da janela aberta da sala de visitas. Risos, murmúrios, barulhinhos diversos a estalar-me nos ouvidos. Dirigi-me à porta de entrada, subi os dois degraus de uma só vez e bati com os nós dos dedos na madeira envernizada. Nenhuma resposta. Estranhei que ninguém me viesse abrir a porta, já que estavam à minha espera. Bati de novo, mas mais uma vez ninguém respondeu. De sobrolho franzido, contornei a casa e espreitei a janela da cozinha. Não se via vivalma, mas a luz estava ligada. Assim, recorri à varanda da sala de jantar. Subi à grade e olhei pelo vidro semi-coberto pela cortina pesada de veludo verde. Lá dentro, só vi uma figura, uma mulher elegante de vestido azul sentada graciosamente numa cadeira junto à lareira. Mesmo sem lhe ver o rosto,  apenas o cabelo belamente apanhado, eu sabia bem que não a conhecia. Nesse momento, entrou na sala uma nova pessoa. Esta, por sua vez, era um rapaz jovem, devia ter aproximadamente a minha idade. Era alto, magro, pálido como se fosse despigmentado. O cabelo escuro caía-lhe penosamente em farripas quase húmidas sobre os olhos. Também não fazia a mínima ideia de quem se tratava, se bem que o seu rosto simples me era vagamente familiar, como se já tivesse sonhado com ele. Aproximou-se da mulher e colocou-lhe uma mão no ombro. Aí, o meu pé escorregou lentamente no granito da varanda e perdi o equilíbrio. O rapaz dirigiu o olhar rapidamente para a janela, interceptando o meu. Então, senti uma mão a cobrir-me a boca e um braço a envolver-me a cintura.

publicado por Katerina K. às 17:51

Olá Joana
Muito giro o teu texto. Escreves bem e estive a ler o teu post de apresentação. Muito interessante, sem dúvida. Continua a escrever e a tocar a tua flauta. Nunca deixes de fazer o que mais gostas.
Abraço
ónix a 22 de Julho de 2009 às 23:34

Nunca, isso é certo! Obrigada!

Beijinho flautístico,
J.F.

Adorei!! Escreves muito, muito bem!! Continua assim. Prevejo que vou passar por aqui muitas vezes.

Muitíssimo obrigada! :D
Palavras lisonjeiras essas, mas não passo de uma amadora. :)
Volta sempre.

Beijinho flautístico,
J.F.

Amadora?!
As editoras não sabem o que perdem...

O problema não é arranjar editora que me publique, porque editoras há às resmas, e arranja-se sempre alguém. O problema é arranjar quem me leve a sério como escritora e pessoas que comprem o que publico!

Beijinhos flautísticos,
J.F.

Se nunca tentares nao saberás:)

Sim, também é verdade.
Mas quanto mais alto se voa, mais alto se cai.

Beijinhos flautísticos,
J.F.

Sim é verdade, mas ainda nem começaste a voar:)Porque nao tentares, e depois logo se vê;)

Veremos, veremos. (:

Beijinho flautístico,
J.F.

Olá joaninha. Li e gostei muito do que li, a tua escrita é muito fácil de ler e bonita de se saborear. Tens uma grande queda para as histórias, Não estás a escrever nada que penses um dia publicar? Abraço Eduardo.
Fisga a 23 de Julho de 2009 às 15:10

Eduardo, já comecei várias coisas para publicar. Mas acabei sempre por nunca lhes dar um término. Ultimamente, ando a escrever muito suspense e policiais, em consequência de andar a ler muito Stieg Larsson e os livros de Douglas Preston & Lincoln Child (se não conheces, aconselho vivamente). Deste modo, ando a escrever um policial bastante denso e um pouco negro. O problema não é encontrar quem me publique, porque editoras não faltam, mas quem me leve a sério e esteja disposto a comprar o que escrevo. Aí está o verdadeiro problema.

Abraço flautístico,
J.F.

Olá Joaninha

Tal como prometi e porque sou muito curiosa cá estou e gostei muito, valeu a pena,
adoro ler muito, muito e na minha sincera opinião acho que levas muito jeito.
Aguardo, espero bem ler assim uma boa quantidade de páginas escritas por ti, com um bom enredo daqueles que nos prendem do primeiro ao último capítulo.

Gostei mesmo, beijinho
natalia

Natália,
também espero que venhas a ter esse prazer. E espero eu ter o prazer de, um dia, depois de ter publicado um livro e quando se vir a minha cara estampada nas livrarias, tenha o prazer de te autografar uma das minhas obras. :P
(Muita ambição)

Beijinho flautístico,
J.F.

Olá Joaninha. Sobre as editoras é verdade, que elas só abrem as portas de par em par, para os já consagrados, ou seja, so arriscam em dados adquiridos. E isso leva a que muitas boas obras fiquem no anonimato. O que é uma pena. Há uma açociação de escritores, não é uma editora, que facilita essas coisas, mas eu não sei o nome e nem sei em que moldes é que funciona. Talvez no google seja possivel descobrir. quanto aos Policiais, só conheço Stieg Larsson, eu sempre adorei policiais, e posso dizer que li muitos. Agora já não leio, porque a vista já pede treguas. Mas para mim todos os bons policiais como por ex. Agata cristy eu adorava. Eu era um consumidor de extremos ou eram Policiais, ou Dramáticos. mas gostava mais de Policiais porque tinham o motor da incógnita, que só parava no fim do livro. Um Abraço Eduardo.

Eu já tinha ouvido falar da associação, já que conheço bastantes pessoas do mundo da escrita ou que por lá se ambicionam aventurar. Mesmo assim, vou fazer uma pesquisa.
Agora, quanto aos policiais, Agatha Christie é uma das minhas preferidas, se não a minha preferida. A verdade é que não há comparação possível entre escritores de policiais, pois cada um tem o seu género inconfundível e a sua maneira de apresentar os mistérios. Mas eu li todos os livros de Christie. Todos. Gostei mais de uns do que outros, claro, mas mesmo assim eram todos muito bons.

Abraço flautístico,
J.F.

Há de facto uma diferença, exponencial, ao nível do suspanse, entre o policial e o Tipo Detective Ou investigador. A própria trama em si é diferente, mas eu tudo o que me prometesse resultados só no fim eu gostava. Também adorava, como já disse o romance Dramático, Porque eu fiz Teatro amador quase 10 anos e a minha amada era mesmo a representação dramática. Eu fui empregado da Cerveja sagres durante 27 anos, e a empresa tinha um grupo teatral muito jeitoso, na época, eu viajei por quase todo o País em representação, e era a minha paixão, era o teatro. E isso levava a que eu gostasse muito de tragédia. Ajudava-me a aprender os papéis com mais facilidade,
Bom fim de semana. Um Abraço Eduardo.

Isso é muitíssimo curioso. Talvez um dia sirvas de inspiração para uma das minhas personagens.

Abraço flautístico,
J.F.

Olá Joana. Faz o favor de perguntar. que eu com todo o prazer responderei ao que souber. Sempre fui um livro aberto, e não te acanhes a perguntar, para quem presisa de saber, não há perguntas indiscretas e nem menos próprias. Há apenas perguntas. Só não penses em me pedir a cara para a capa do livri. porque não vendiias nem o primeiro. Bom fim de semana. Um Abraço Eduardo.

Ahahah, teve piada, sim. :P
Não me acanharei.

Abraço flautístico,
J.F.

Olá Joana. Olha é assim: Eu não sei há quantos anos a tua guerra se mantêm activa. mas perder batalhas, não significa perder as guerras, nada como a persistência. Há um ditado que diz: Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Quando se tem como dado adquirido que a nossa luta é justa, vale a pena manter os braços levantados. Que a tua boa estrela te guie até um bom porto. Um beijinho Eduardo.

Bem verdade. Obrigada, pelo apoio.

Abraço flautístico,
J.F.

Olá Joana. Boa noite e bom resto de Domingo. É só uma achega, como se diz na gíria. A prova de que a tua escrita é muito boa, é este bonito estandarte de Comentários. Se a tua escrita fosse chata, enfadonha, e maçuda, não tinhas certamente estes comentários todos. Um beijinho e tudo de bom. Eduardo.

Sim, é verdade. Nunca tive tantos comentários aqui no cantinho.

Abraço flautístico,
J.F.

Flautista:

Texto com razoável atracção de leitura, de alguma tendência policial e acabando com algum «suspense», que não sei se será desvendado no ou num próximo «post», podendo dizer-se que sim, que deveria ter continuação.
Flautista, deixe-me, porém, dizer-lhe, e não me leve a mal, pois faço-o com humildade e com respeito por si, que há uns errinhos no seu escrito, que deveriam ser corrigidos, por agora e também para o futuro. E esclareço melhor que estou a proceder assim porque escrever bem, ou o melhor possível, sempre fez parte da minha vida e da minha actividade.
Partindo do princípio de (repare que em geral as pessoas não empregariam este «de») que me é permitido por si apontar esses errinhos, vou, então, referi-los.

- Na 4.ª linha do texto, em vez de «meia cega», correcto é «meio cega» (mesmo com o adjectivo no feminino, é sempre «meio»);
- Na 7.ª linha, em vez de «no andar debaixo», deve estar «no andar de baixo» (por oposição a «de cima»);
- Na 9.ª linha, onde está «o que fez com que», deve estar «o que fez que» (em geral usa-se nesta expressão o «com», mas é incorrecto);
- Na 11.ª linha, onde está «o arranhar os insectos», deve estar «o arranhar dos insectos» (falhou o de»);
- Na 20.ª linha, onde está «semi-coberto», deve estar «semicoberto» (o prefixo «semi» só é seguido de hífen quando a palavra seguinte começa por «h», «i», «r» ou «s») (há em geral muita confusão, mesmo em jornalistas, escritores e professores de Português, sobre o uso dos prefixos e de se lhes seguir hífen ou não);
- Na 28.ª linha, onde escreveu «se bem que [...] o seu rosto simples me era», deveria escrever «se bem que [...] o seu rosto simples me fosse» («se bem que» equivale a «embora», por isso experimente usar «embora» e verá que «fosse» é que lhe parece correcto.

De novo lhe peço desculpa.
Os meus amistosos cumprimentos.

Mírtilo
Mírtilo MR a 23 de Julho de 2009 às 23:19

Mírtilo,
Agradeço profundamente.
Tenho também a referir que três dos erros que apontou são gralhas devido à escrita rápida no teclado. Se pudesse ver o manuscrito corrigido sem gralhas, poderia ver que eles já lá não estão. Quanto aos outros, são puro descuido. Escrevo com pouca tensão, já que se trata de um blog e não uma obra literária séria. De qualquer modo, devo também dizer que qualquer erro também se deve a eu ter apenas 16 anos, e até acho que, para a minha idade, não estou nada mal. Para alguma coisa, tenho um professor de Português, não é verdade? Exactamente para limpar qualquer falha na minha gramática. Qualquer texto que eu escreva, para um propósito mais sério, passa pelas mãos dele. Mas como isto se trata apenas de um blog, tal coisa não se justifica.
Assim, só tenho a agradecer e a esperar que da próxima vez que por aqui vier, não encontre qualquer erro.

Cumprimentos flautísticos,
J.F.

Senhor/a Professor/a Mirtilo com acento no Í . Diga-me por favor se este seu post conta para a sua AVALIAÇÃO? Diga-me quantos erros dei? Cada palavra sua MINHOCA, vais apanhar 10 reguadas dizia lá na escola um professor que também dizia: MUITO RIZO POUCO SISO , porque tinha placa e não podia comer castanhas. AJA DEUS MEU IRMÃO, QUANTO CÀRUNCHO BRASILEIRO. Primentos e cantemos o Hino do Pedantismo. Seria o Dantas?

Meu querido Caravagio,
Obrigada pela protecção, mas não vale a pena nos estarmos a exaltar. :) O senhor Mírtilo deu a sua opinião, tem o direito a isso. Claro que tenho pena que tenha esventrado o texto e o tenha analisado de uma forma bastante fria e científica, e não o tenha visto como um todo, mas mesmo assim tem o direito a fazer a sua observação. De qualquer maneira, respondi o melhor que pude às críticas. E, mais uma vez, obrigada! (:

Beijinho flautístico,
J.F.

Olá Joana.A minha intenção não foi protecção (até rima) nem transformar o seu blog num ringue de box, mas há certas pessoas que lhes fazia bem, verem todos os dias 3horas dos "MORANGOS COM AÇÚCAR ". Um beijinho de bom-fim-de-semana e agora vou almoçar o novo acordo ortográfico.

Sim, eu percebi bem a intenção. Enfim, somos todos diferentes, não é verdade? E deu para rir um bocadinho, ao fim ao cabo.

Abraço flautístico,
J.F.

Gostei tanto do teu texto...
Ainda não tive tempo para ler os outros, mas fá-lo-ei com tempo...
Também li o teu texto de apresentação e, tal como a Ónix, adorei...
E nunca, mas nunca desistas dos teus sonhos...
Beijinho grande

P.S. A Ónix é minha irmã...
Ametista a 24 de Julho de 2009 às 16:28

Ametista,
Ainda bem que gostaste. É sempre gratificante ver a satisfação das outras pessoas! :)
Nunca desistirei dos meus sonhos, podes ter a certeza. Digam o que disserem.
Volta sempre, serás bem-vinda!

Beijinho flautístico,
J.F.

Olá, Flautista
O importante é que sejas feliz...
E é maravilhoso encontrar pessoas que não conhecemos e que nos vão acompanhando sempre por aqui...
Passa a haver uma proximidade de almas e isso é pura e simplesmente fantástico...
A presença física...? As palavras valem mais... e acredito que um dia deste vou encontrar-me com os amigos da blogosfera que me são mais queridos...
Espero que consigas viver a mesma experiência...
Voltarei... não duvides que voltarei sempre que possa...
Beijinho cintilante

Bem verdade, o que disseste. Tenho aqui amigos muito queridos, mesmo não sendo da mesma faixa etária que eu. É bom ter o seu apoio e, por vezes, quase a sua protecção.
Obrigada pelas palavras, pelo carinho!

Beijinhos flautísticos,
J.F.

JOANA TRANSVERSAL FLAUTISTA: Sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre!!!OBRIGADO
Caravaggio a 25 de Julho de 2009 às 00:42

Adorei o texto. Obrigada do fundo do coração pelo teu apoio. Espero puder arranjar muitos amigos neste "Mundinho".

Beijão grande

Temos de ser uns para os outros, na blogosfera.
Vais arranjar, sei que sim. (:

Beijinhos flautísticos,
J.F.

Oláá,
Fico contente por saber que gostaste; e realmente, tens razão no que disseste.
Obrigada :')
Passei aqui só mme pra te agradecer, tou com pressa. tenho que me ir embora. mas prometo voltar e cuscar o teu blog duma ponta à outra :p

Beijinhos,
inês. a 25 de Julho de 2009 às 12:32

Não tens de agradecer. (:
Volta sempre, está à vontade. Faz de conta que estás em casa. Mi blog es su blog :P

Beijinho flautístico,
J.F.

Oh, adorei *.*

Vou andar aí a cuscar mais um bocado, as tuas histórias são tão giras. Reais ? 8D

Beijinhos <3

P.S: Vou adicionar-te ^^
Caaaathyyy. a 25 de Julho de 2009 às 12:52

É tudo relato da minha vidinha.
Ficção são os posts intitulados de «Escritas».
Como podes ver ao longo dos posts reais, as personagens mantêm-se mais ou menos.
Não te percas por aqui :P

Beijinho flautístico,
J.F.

Só uso pseudónimo, para não revelar a minha identidade, claro. E agradecia que não divulgasses o meu nome mesmo :P

Ahah, claro ^^

De resto, tá à vontade. (:

Beijinhos flautísticos,
J.F.

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