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28
Jun 09

O Nome de Deus

 

Dentro de mim havia uma praia,

uma praia onde o mar era branco

e nas rochas viviam pássaros.

O Sol punha-se e nascia a este

e na noite não brilhava a estrela polar.

Dentro de mim, só havia essa praia.

Veio a noite. Como dizia a minha avó,

o céu fechou para obras.

Na minha noite, nessa noite em que só havia silêncio,

o mar calava-se e odiava a areia.

As sombras morriam na escuridão que as vira nascer

e os pássaros eram corvos.

Quando quebrei, fez-se noite profunda.

A praia fez-se morte e cinza.

Os corvos riam-se de mim

e caíam lágrimas negras das suas asas.

Nesse momento, soube o Nome de Deus

e escrevi-o na areia. No entanto, não vieram anjos

trazendo o sol nos dedos.

Pelos vistos, Deus mudara de nome.

Pensei se poderia atar uma corda ao Sol

e puxá-lo,

mas a força fugia-me como ar.

Os corvos ainda me olhavam em escárnio.

Quis afogá-los no mar que odiava a areia.

Mas quebrei, e já não mandava

nem nos braços, nem nas pernas.

Sem sair do mesmo sítio,

caminhei pelo areal.

E em todos os faróis,

que eram olhos e estavam apagados,

escrevi o Nome de Deus.

 

 

Até a um próximo post,

J.F.

publicado por Katerina K. às 11:09

Cristo!!!

Que coisa mais linda!!

Até fiquei com pele de galinha....escreves mesmo bem miúda! Não pares ouviste!!

Bjinhos
Subjectividades a 17 de Julho de 2009 às 23:30

flautista

"O Nome de Deus"

"As sombras morriam na escuridão
que as vira nascer"...

linda a forma de dizer,
o encontro preparado
com o mar
na noite sombria

que trouxe com ela.
a necessidade de Deus.

Belo poema!

Obrigada pelo seu comentário.

Maria luísa

M.Luísa Adães a 19 de Julho de 2009 às 10:55

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